Amsterdã se prepara para uma nova era no futebol neerlandês com a chegada de Xavi Hernandez ao comando técnico da seleção. O antigo maestro do Barcelona, que como jogador conquistou a Copa do Mundo de 2010 e dois Campeonatos Europeus, faz sua estreia como treinador na próxima quinta-feira, em um confronto contra a Alemanha. A nomeação marca um momento histórico, sendo Xavi o primeiro estrangeiro a liderar a equipe nacional desde a Copa do Mundo de 1978, e vem acompanhada de grandes expectativas para os três jogos da Liga das Nações nesta janela internacional.
O Resgate da Identidade Neerlandesa
A chegada de Xavi reflete um desejo profundo da Federação Holandesa de mudar a perspectiva tática e filosófica da equipe. Após as passagens de Ronald Koeman e Louis van Gaal, que geraram considerável descontentamento entre torcedores e críticos, a aposta em Xavi visa resgatar os valores tradicionais do futebol neerlandês. Ambos os treinadores anteriores foram acusados de abandonar a posse de bola e o futebol ofensivo, priorizando uma abordagem mais focada no contra-ataque. Apesar de Van Gaal ter levado a equipe às quartas de final da Copa do Mundo de 2022 e Koeman às semifinais da Euro-2024, a eliminação precoce nas oitavas de final do Mundial deste ano foi vista como uma grande decepção.
Nigel de Jong, diretor técnico da federação, expressou a visão por trás da contratação: “Trata-se de como queremos jogar futebol nos Países Baixos. Isso significa jogar de forma dominante e atrativa, mas de uma boa maneira. Ser dominante não significa sempre jogar ao ataque; também queremos ser dominantes a defender. Ao conceder menos gols, queremos tentar vencer os jogos.”
A Influência do ‘Tiki-Taka’ Catalão
Apesar de Xavi, aos 46 anos, ser considerado um treinador relativamente inexperiente, a federação neerlandesa vê nele a personificação de qualidades que consideram essenciais para a seleção, como técnica apurada, disciplina tática e criatividade. Sua passagem como técnico do Barcelona, onde conquistou a Liga espanhola em sua primeira temporada, demonstrou a aplicação de ideias que os adeptos holandeses anseiam ver em sua própria equipe – um estilo que remete ao lendário “Futebol Total” e à filosofia de jogo do Barcelona, com forte ênfase na posse de bola e no controle do jogo.
O meio-campista Tijjani Reijnders já demonstra entusiasmo: “Depois da primeira reunião, senti logo vontade de ir para o relvado. Novas ideias e uma nova forma de jogar futebol. Acho que também é bom para o grupo.”
A Filosofia de Xavi: Posse, Posição e Paixão
Em sua primeira coletiva de imprensa, Xavi, que assinou um contrato de quatro anos, detalhou os pilares de sua filosofia de jogo, que ele descreveu como centrada em cinco “P’s”: Posse, Posição, Pressão, Perceção e Paixão. “É preciso ter posse de bola para vencer o jogo”, explicou. “É preciso ocupar bem as posições. Quando se perde a bola, tem de se pressionar. E é preciso perceção para ver o que se passa à volta e compreender o jogo. Mas sem paixão, não se pode jogar futebol.”
Contudo, o técnico espanhol fez questão de salientar que, apesar da importância da filosofia, a vitória permanece o objetivo final. “Acho que há claramente potencial neste grupo”, afirmou Xavi, indicando que a combinação de um estilo de jogo bem definido com a busca incessante pelos resultados será a tônica de sua gestão à frente da seleção neerlandesa.




