A final da Copa do Mundo de 2026 pode ter reservado um encontro entre Lionel Messi e Lamine Yamal, mas o craque argentino quase esteve do lado espanhol. Sua permanência na seleção de seu país natal foi fruto de uma intensa ‘operação’ orquestrada pela Associação de Futebol Argentino (AFA) no início do século XXI, quando o jovem Messi, já brilhando nas categorias de base do Barcelona, corria o risco de se tornar cidadão espanhol e defender a ‘Fúria’.
O Talento Visto de Longe: A Fita que Mudou Tudo
Messi integrou o sub-13 do Newell’s Old Boys até 2000, quando se transferiu para o Barcelona. Morou na Catalunha até 2021, tempo suficiente para adquirir a cidadania espanhola. Na época, a regra da FIFA permitia que um jogador que atuasse por uma seleção nacional ficasse inelegível para outras. A Argentina se preparava para o Mundial Sub-17, e Messi, apesar de já ter idade limite, nunca havia jogado pelas seleções juvenis argentinas. Foi uma fita cassete, enviada por Horacio Gaggioli, empresário próximo ao Barcelona, a Carlos Vivas, auxiliar do então técnico Marcelo Bielsa, que alertou a AFA sobre o prodígio. Bielsa, impressionado com a velocidade e a finalização de Messi, teria questionado se estava assistindo em ‘tempo real’.
A Corrida Contra o Tempo: A Busca pela Família Messi
Com a iminência de Messi completar um ano de residência na Espanha e se tornar cidadão, a AFA precisou agir rapidamente. Hugo Tocalli, treinador da seleção sub-17, foi encarregado de localizar a família do craque. Em uma ação digna de filme, Tocalli buscou uma lista telefônica em Rosário, encontrou a avó de Messi em uma cabine telefônica e, através dela, obteve o contato do tio e, finalmente, do pai do jogador. Tocalli se apresentou, explicando que o jovem, apesar de seu potencial, não havia sido notado anteriormente por um equívoco no nome (referindo-se ao apelido ‘Leo’ em vez de Leonardo).
O Amistoso Decisivo: O Grito da Argentina
Para garantir a elegibilidade de Messi para a Argentina, a AFA organizou um amistoso contra o Paraguai Sub-20 em 29 de junho de 2004. Messi foi convocado e marcou um golaço, demonstrando seu talento nato em uma vitória por 8 a 0. Após este e outro amistoso, ele foi chamado para o Sul-Americano Sub-20 e, posteriormente, para a Copa do Mundo de 2006. A partir daí, iniciou-se uma trajetória vitoriosa, comparada à de Diego Maradona.
Da Dúvida à Glória: A Identificação com o Povo Argentino
Apesar do sucesso estrondoso no Barcelona e das conquistas pela seleção, Messi demorou a ser unanimidade na Argentina. O desejo de jogar em seu país natal e conquistar um título com a Albiceleste era forte. A pressão aumentou após a derrota em duas finais consecutivas da Copa América em 2015 e 2016, levando-o a ameaçar se aposentar da seleção. A conquista da Copa América de 2021, no Maracanã, e a posterior vitória na Copa do Mundo de 2022, transformaram a relação do craque com a torcida. Hoje, Messi é celebrado em murais e cânticos, um ídolo inquestionável, cujo futuro poderia ter sido drasticamente diferente sem a ‘operação’ da AFA em 2004.





