A chegada de Zinedine Zidane ao comando da seleção francesa trouxe consigo uma série de expectativas e, surpreendentemente, algumas interrogações táticas logo de início. Assim como houve confusão sobre o pé dominante de Maxence Lacroix, uma declaração de Zizou sobre Andy Diouf, jogador do Inter, gerou burburinho. O novo selecionador afirmou que queria ver o atleta do Nerazzurri na lateral esquerda, uma posição bastante incomum para Diouf, que atua como ala direito em um esquema de três zagueiros em seu clube. Esta afirmação, inicialmente ofuscada pela ideia de Kylian Mbappé na ponta esquerda, revela-se agora interligada a um possível rearranjo estratégico.
A Revolução Tática de Zidane: 4-2-3-1 ou 4-1-4-1?
Zidane parece inclinado a promover mudanças significativas nos Bleus. A expectativa é que a seleção apresente um corredor esquerdo formado por Adrien Truffert e Kylian Mbappé. Essa configuração sugere que Ousmane Dembélé, mesmo não estando em sua melhor fase, possa começar como atacante. Mas a grande questão reside no meio-campo: Zidane manterá o duplo pivô do 4-2-3-1, herdado de Didier Deschamps, ou ousará com um 4-1-4-1? Este último esquema contaria com um único camisa 6 à frente da defesa e cinco jogadores ofensivos, incluindo Mbappé e Dembélé, além de opções como Michael Olise, Rayan Cherki, Désiré Doué e Bradley Barcola. Tal mudança implicaria em deixar no banco nomes importantes como Warren Zaïre-Emery, Adrien Rabiot, Manu Koné e Lucas da Cunha, evidenciando uma aposta ousada em uma maior capacidade ofensiva. A dinâmica da equipe também é crucial. Com Dembélé na frente, espera-se um jogador capaz de iniciar a pressão, desde que haja um acompanhamento eficiente. A falta de conexão na perda de bola e na dificuldade de saída adversária foi um ponto fraco notado contra a Espanha, e a França tem um ano e meio para evoluir nesse aspecto.
Diouf: Meio-Campo de Origem, Ala no Clube, Lateral na Seleção?
A dúvida sobre a posição de Diouf é central para entender as intenções de Zidane. Andy Diouf é, por essência, um meio-campista central puro. Embora tenha atuado em diferentes alturas do campo, sempre esteve no setor central. Para ganhar espaço no Inter, o jogador canhoto foi adaptado para uma função incomum de ala direito, operando de forma interior em um esquema 3-5-2 ou suas variações (3-4-1-2 ou 3-4-2-1). Suas estatísticas no Flashscore, com nota 6,6, incluem 47 toques na bola, 30 passes certos em 32 tentados, com 8/10 bem-sucedidos no terço final, e 7 duelos ganhos em 10, demonstrando sua versatilidade e eficácia nessa função.
No entanto, em sua carreira, que inclui passagens por Rennes, Basileia e Lens, Diouf jamais atuou como lateral esquerdo. Zidane convocou apenas um especialista para a posição, Truffert. Com uma sequência de quatro jogos pela frente, a França se encontra com apenas um lateral esquerdo de ofício. Uma lesão ou suspensão de Truffert obrigaria Zidane a reconsiderar, talvez chamando jogadores inicialmente excluídos como Théo Hernandez ou Lucas Digne, diante da perspectiva de escalar um corredor Diouf-Mbappé pela esquerda. Diouf não oferece garantias nesse lado do campo, seja em uma defesa com quatro ou três. Sua convocação, portanto, não parece ter sido para o meio-campo.
O Enigma do 3-5-2 e as Implicações Táticas
Será que Zidane estaria pensando em utilizar Diouf como ala direito em um esquema de três zagueiros, à semelhança do que fez com Cristian Chivu em outros contextos? Se essa for a intenção, as inovações táticas seriam fascinantes de acompanhar. Nesse cenário, Jules Koundé, por exemplo, poderia ser deslocado para a posição de terceiro zagueiro. A questão principal, mais do que a identidade dos titulares, seria quais meio-campistas e, sobretudo, quais atacantes seriam sacrificados. Marcus Thuram, o jogador mais habituado a trabalhar nesse tipo de sistema, curiosamente não foi convocado. Dembélé e Mbappé seriam titulares? E quem seria o organizador de jogo, Michael Olise ou Rayan Cherki? Ao longo da partida, quem sairia para dar lugar a Désiré Doué ou Bradley Barcola?
Didier Deschamps tentou jogar com três zagueiros no passado, sem grande sucesso. Neste novo cenário, Diouf é talvez o único jogador convocado que está habituado a esse esquema em seu clube, mesmo que em uma função que ainda está aprendendo. As escolhas de Zidane prometem agitar o cenário tático da França e serão cruciais para o desempenho da equipe na Liga das Nações.





