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Fugiu da Guerra no Iraque e Encontrou no Futebol Brasileiro um Novo Lar e Amor em SP

Fugiu Da Guerra No Iraque E Encontrou No Futebol Brasileiro Um Novo Lar E Amor Em Sp

O futebol, com sua capacidade ímpar de conectar pessoas e contar histórias improváveis, é o fio condutor da trajetória de Haik Khachadorian, um iraquiano que, aos 20 anos, deixou para trás um país marcado pela incerteza e encontrou no Brasil, mais especificamente em São Paulo, um recomeço e um novo lar. Nascido em Bagdá em 1972, Haik, descendente de armênios, nutre desde a adolescência um carinho especial pelo Brasil, alimentado pela paixão pelo futebol e pela Copa do Mundo.

A Paixão pelo Futebol e a Inspiração Brasileira

A primeira classificação do Iraque para a Copa do Mundo, em 1986, foi um marco divisor de águas na infância de Haik. Naquela época, jogando futebol com seus primos no jardim, ele se inspirava em craques brasileiros que brilhavam na televisão. Nomes como Müller e Zetti se tornaram referências, e a admiração pelos jogadores do São Paulo, em particular, o fez torcer pelo Tricolor Paulista quando chegou ao Brasil em 1992. “Ele acabou virando meu time do coração muito por conta deles”, relata Haik, hoje com 54 anos e naturalizado brasileiro.

Fuga da Guerra e Busca por uma Vida Melhor

A decisão de emigrar em 1992 foi motivada pelo regime de Saddam Hussein e pelo clima de instabilidade que assolava o Iraque. “Quis vir para cá buscando uma vida melhor”, explica Haik. Naquela época, o país estava envolto em conflitos com nações vizinhas, e a saída para o exterior era proibida. Haik, que precisou servir ao exército iraquiano, arriscou tudo para deixar seu país. Atravessou parte do Iraque por terra até a Jordânia, seguiu para a Turquia e, após uma longa espera, conseguiu o visto para o Brasil. Chegou a São Paulo sozinho, com apenas 100 dólares no bolso, mas logo se encantou com o país e decidiu ficar.

Um Novo Começo em São Paulo

Na capital paulista, Haik trilhou um caminho diversificado. Trabalhou como vendedor de carros importados, no comércio popular da Rua 25 de Março, preparou marmitas, foi motorista particular e professor de inglês. Em 2022, realizou um antigo sonho ao se tornar proprietário do restaurante Haleku, ao lado de sua mãe, Meryam. O local serve pratos das culinárias iraquiana e armênia, celebrando suas origens. “O Brasil me deu dignidade e abriu portas”, afirma Haik, emocionado. Foi aqui que ele se casou com Lusine, reencontrada em um aplicativo de relacionamento, e construiu sua família, tendo um filho brasileiro.

O Legado do Futebol Iraquiano e a Torcida Dividida

Apesar de ter o coração brasileiro, Haik não esquece suas raízes. Ele relembra com carinho a primeira festa generalizada no Iraque por causa da classificação para a Copa do Mundo de 1986, mesmo em meio à guerra. A recente classificação para o mundial também foi motivo de celebração com outros iraquianos em São Paulo. Ele admite que o país tem poucas chances de ir longe na competição, mas exalta a importância de ter a bandeira e o hino nacional presentes no evento. “Só o fato de estarmos lá é uma vitória”, declara. Haik confessa que, apesar de torcer fervorosamente pelo Brasil, seu sangue “ferve igual pelos três”: armênio, brasileiro e iraquiano.

A Embaixada do Iraque no Brasil não forneceu dados sobre a quantidade de iraquianos no país, mas estima-se que cerca de 100 famílias vivam em São Paulo e região. Um deles é Bjad Adnan, que, assim como Haik, se mudou para São Paulo em 2015 e se sente em casa no Brasil. Bjad também planeja dividir sua torcida na Copa entre o Iraque e o Brasil, desejando que ambos façam um grande torneio.

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