O ambiente no Real Madrid atravessa um dos momentos mais turbulentos dos últimos anos. Eliminado precocemente na Copa do Rei e na Champions League e distante da disputa pelo título de La Liga, o clube espanhol viu os problemas dentro de campo se transformarem em uma crise também nos bastidores. Nas últimas semanas, relatos de discussões em treinamentos, conflitos entre jogadores, desgaste com o técnico Álvaro Arbeloa e até uma petição organizada por torcedores pedindo a saída de Kylian Mbappé passaram a dominar o noticiário espanhol. O cenário expõe um elenco dividido, um vestiário desgastado e um clube que já começa a discutir mudanças profundas para a próxima temporada.
A situação ganhou um novo capítulo com episódios de brigas graves entre jogadores, o que levou a reuniões de emergência em Valdebebas. O presidente Florentino Pérez tenta controlar a tensão internamente, mas o clima no CT é descrito como extremamente delicado, com o risco iminente de uma temporada sem títulos, algo raro na história recente do clube.
Brigas escancaram elenco ‘rachado’
Os recentes episódios envolvendo jogadores do Real Madrid reforçam a percepção de um elenco dividido e vivendo um ambiente cada vez mais hostil nos bastidores. O caso mais grave envolve os meio-campistas Federico Valverde e Aurélien Tchouaméni. Após já terem discutido durante uma atividade em Valdebebas, os dois voltaram a se desentender nesta quinta-feira, em uma situação descrita pelo jornal espanhol Marca como “muito grave”.
Segundo a publicação, o clima ruim começou ainda antes do treino, quando Valverde teria se recusado a cumprimentar o francês. A tensão aumentou ao longo da atividade e terminou em uma forte discussão no vestiário, com necessidade de intervenção de outros integrantes do elenco. Durante a confusão, Valverde sofreu um corte após um choque acidental e precisou ir ao hospital para atendimento médico. O episódio provocou uma reunião de emergência dentro do clube, com participação de dirigentes e a possibilidade de abertura de medidas disciplinares contra os atletas.
Antes disso, outro episódio já havia repercutido nos bastidores do Real Madrid. Segundo a rádio espanhola Onda Cero, Antonio Rüdiger e Álvaro Carreras se envolveram em uma discussão acalorada no centro de treinamento do clube, após a eliminação para o Bayern de Munique na Champions League. A emissora informou que o zagueiro alemão teria dado um tapa no rosto do lateral durante o desentendimento. O The Athletic confirmou posteriormente que houve um incidente envolvendo Rüdiger, que teria pedido desculpas ao companheiro e tentado resolver a situação internamente, enquanto Carreras minimizou o caso nas redes sociais.
Mbappé: Do topo ao centro da polêmica
Kylian Mbappé também passou a ocupar o centro da crise madridista. Segundo o The Athletic, o atacante francês discutiu de maneira ríspida com um integrante da comissão técnica após uma marcação de impedimento em um treinamento. O episódio teria causado desconforto entre outros jogadores do elenco e ampliado a percepção de distanciamento do camisa 10 em relação ao grupo.
Nos últimos dias, Mbappé também foi criticado por torcedores após viajar para a Sardenha durante o período de recuperação de uma lesão muscular na coxa esquerda, o que levou seu estafe a divulgar um comunicado reforçando o comprometimento do atleta. A pressão ganhou ainda mais força nas redes sociais, onde uma petição pedindo a saída do francês ultrapassou a marca de 30 milhões de assinaturas. Mbappé, atualmente em recuperação, ainda é dúvida para o clássico contra o Barcelona, que pode confirmar o título espanhol no domingo.
Boicote a Arbeloa e o caso Ceballos
O ambiente no Real Madrid também é marcado por um desgaste crescente entre parte do elenco e o técnico Álvaro Arbeloa. Segundo o jornal espanhol Marca, ao menos seis jogadores teriam rompido relações com o treinador e evitam qualquer tipo de conversa com ele no dia a dia. A equipe atravessa um dos momentos mais delicados da temporada, sem perspectivas reais de títulos e mergulhada em um clima interno cada vez mais dividido.
O principal foco de crise com o treinador envolve Dani Ceballos. Segundo o Marca, o meio-campista teve um rompimento definitivo com o espanhol após uma conversa no centro de treinamento. A reunião teria sido solicitada pelo próprio jogador, que comunicou ao treinador que não queria mais manter qualquer relação com ele e que já não esperava receber oportunidades no restante da temporada. Mesmo treinando normalmente, Ceballos deixou de ser relacionado para os jogos. O Real Madrid decidiu apoiar Arbeloa e manteve o jogador afastado das partidas por decisão técnica. Em entrevista coletiva, Arbeloa evitou aprofundar o tema, afirmando que “o que acontece no vestiário do Real Madrid fica no vestiário do Real Madrid”. Com contrato até 2027, Ceballos deve deixar o clube na próxima janela, com o Betis aparecendo como possível destino.
Reformulação profunda à vista
A sequência de problemas aumentou a pressão sobre a diretoria do clube. Segundo divulgado pelo jornalista Mario Cortegana, do The Athletic, logo após a eliminação na Champions, há uma forte discussão interna sobre mudanças estruturais no futebol do Real Madrid. A tendência é que Arbeloa deixe o cargo merengue ao fim da temporada. Além da comissão técnica, dirigentes discutem mudanças no elenco e até na estrutura do departamento de futebol, incluindo a possibilidade de um diretor mais atuante no dia a dia do clube.
Vale mencionar que o departamento médico do Real Madrid também não passa ileso nesse contexto de crise, com as constantes lesões desde 2023 gerando atritos com a comissão técnica e a diretoria do clube. Com o Barcelona próximo de confirmar o título de La Liga, o Real Madrid está na iminência de viver algo raro em sua história recente: duas temporadas consecutivas sem grandes conquistas pela primeira vez em 16 anos. O clube merengue chega para a disputa do El Clásico no domingo, no Camp Nou, com um clima marcado por tensão, conflitos internos e incertezas sobre o futuro. Além disso, pode ver o maior rival conquistar o troféu justamente nesta partida – um empate basta para o time comandado por Hansi Flick garantir o título nacional.





