Uma Década de Transformações e Controvérsias
Há exatamente 10 anos, Gianni Infantino assumiu a presidência da Fifa, em um momento de profunda crise para a entidade, abalada pelo escândalo do Fifagate e pelas polêmicas em torno das Copas do Mundo da Rússia e do Catar. O dirigente suíço-italiano herdou um cenário turbulento, com a queda de seu antecessor, Joseph Blatter, e a necessidade urgente de restaurar a credibilidade da organização. Em uma década, Infantino não apenas buscou solucionar os problemas herdados, mas também implementou mudanças significativas e, em alguns casos, gerou novas polêmicas.
Reformas que Redesenharam a Escolha de Sedes e o Formato das Copas
Um dos legados mais visíveis da gestão Infantino foi a reformulação do processo de escolha das sedes da Copa do Mundo. Antes, a decisão era tomada a portas fechadas por um comitê executivo. Com o objetivo de combater a corrupção e aumentar a transparência, o processo foi alterado para uma votação aberta, envolvendo todas as 211 federações filiadas. Outra iniciativa importante foi a defesa da organização conjunta de Copas por múltiplos países, visando diluir os custos de infraestrutura e mitigar o problema dos “elefantes brancos”, estádios subutilizados após os torneios. A expansão da Copa do Mundo de 32 para 48 seleções, apesar de gerar debates sobre a qualidade técnica e a complexidade logística, foi concretizada, permitindo que mais nações participassem do evento, o que, do ponto de vista político e financeiro, representa um ganho significativo para as federações menores.
A Estratégia de Poder e o Legado Financeiro
A expansão da Copa do Mundo é vista por muitos como uma consolidação da estratégia política e financeira que visa aumentar a influência da Fifa em nível global. Essa abordagem, que remonta a antecessores como João Havelange e Joseph Blatter, busca agregar poder político ao ampliar o número de federações que se beneficiam do evento. A criação da nova Copa de Clubes, que permite o intercâmbio entre equipes de diferentes continentes e injeta mais recursos no futebol, também é apontada como um acerto da gestão, embora gere resistência em alguns mercados, como o inglês, focado em suas ligas domésticas.
Declarações Controversas e a Imagem Pública da Fifa
Apesar das conquistas em termos de gestão e das reformas implementadas, a imagem pública de Infantino sofreu com declarações consideradas desastradas. Na abertura da Copa do Catar, em 2022, sua fala se sentindo “catariano, árabe, gay, deficiente, trabalhador imigrante” foi amplamente criticada como uma tentativa inadequada de defender o país anfitrião diante das acusações de violações de direitos humanos. Mais recentemente, sua aproximação com figuras políticas como Donald Trump, para quem teria inventado um “Prêmio da Paz”, também gerou questionamentos sobre a isenção e o posicionamento da Fifa sob sua liderança. Em suma, enquanto as reformas estruturais e financeiras demonstram acertos e inteligência política, as intervenções públicas de Infantino frequentemente erram o tom, prejudicando a imagem da entidade.





