Fifa em Pauta Política
A relação entre Gianni Infantino, presidente da Fifa, e Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, tem gerado controvérsia e levanta sérias dúvidas sobre a neutralidade política da entidade máxima do futebol. Especialmente em um momento crucial, com os EUA sediando a Copa do Mundo de 2026, a proximidade entre os dois líderes pode trazer implicações significativas para a imagem e a operação da Fifa.
Estatuto da Fifa Desafia Neutralidade
O estatuto da Fifa prega a neutralidade política e religiosa, proibindo interferências estatais e discriminação. Essa cláusula é fundamental para proteger a organização em situações delicadas, como conflitos internacionais. No entanto, Infantino parece ter desconsiderado essa diretriz ao cultivar uma relação próxima com Trump, evidenciada por demonstrações públicas de amizade e até pela criação de um prêmio de paz exclusivo para o ex-presidente americano. Essa postura contrasta com a exigência de neutralidade imposta a federações, clubes e atletas.
Apolarização e Riscos Institucionais
A associação de Infantino com Trump inevitavelmente expõe a Fifa às reações polarizadas que cercam as ações do ex-presidente americano. Enquanto alguns apoiam suas políticas, outros as repudiam veementemente. A neutralidade política era justamente um escudo para evitar que a entidade fosse arrastada para essas disputas e sofresse prejuízos institucionais. A estratégia de Infantino, ao se aproximar de figuras políticas polêmicas, pode colocar em risco a imagem da Fifa perante seus parceiros e patrocinadores, que buscam evitar associações controversas.
Contraste com a Gestão Anterior
A postura de Gianni Infantino difere consideravelmente da de seu antecessor, Joseph Blatter. Embora Blatter tenha viabilizado Copas do Mundo em países com regimes questionáveis, como Brasil, Rússia e Catar, ele manteve um distanciamento maior em relação aos chefes de estado. Figuras como Dilma Rousseff, Vladimir Putin e os governantes do Catar não receberam homenagens pessoais de Blatter, como o prêmio de paz inventado para Trump. Essa diferença sublinha a mudança na abordagem da presidência da Fifa em relação ao envolvimento político.
Interesses Comerciais em Jogo
Apesar de Infantino poder ignorar críticas pontuais, é inegável que a Fifa depende de seus parceiros comerciais. Com cerca de US$ 9 bilhões a serem arrecadados com a Copa do Mundo de 2026, a entidade não pode se dar ao luxo de alienar patrocinadores e emissoras. Esses parceiros, em geral, buscam evitar a associação com polêmicas políticas e brigas em redes sociais, especialmente durante um evento de grande porte como a Copa do Mundo. A aliança de Infantino com Trump pode, portanto, colocar em risco os interesses financeiros e a estabilidade institucional da Fifa.





