Aprendizado em meio à rejeição
Roger Machado revisita sua breve passagem pelo São Paulo, ocorrida entre março e maio, marcada por uma rejeição inicial da torcida. Em entrevista ao ‘Estadão’, o treinador de 51 anos descreve a experiência como um aprendizado, lamentando as chacotas sobre sua forma de se expressar, mas compreendendo melhor a dinâmica entre treinador e torcedor no futebol contemporâneo.
“Para mim, o futebol amplifica e cristaliza o que nós somos como sociedade, com as coisas boas e com as coisas ruins. Essa relação que a gente hoje está vivendo adoece a todos nós, inclusive o torcedor”, afirmou Roger, destacando a complexidade do ambiente esportivo, especialmente amplificado pelas redes sociais.
Posições sociais e a recepção no futebol
O técnico acredita que suas posições explícitas em questões políticas e na luta antirracista podem ter contribuído para parte da rejeição que enfrenta. Roger pondera que, ao adentrar o futebol profissional, o esperado por alguns seria um discurso focado apenas na meritocracia, ignorando as complexidades sociais.
“Quando eu acesso esse lugar (o futebol profissional), talvez o que as pessoas gostariam é que o discurso que eu abraçasse fosse o da meritocracia. Afinal de contas, eu consegui vencer a disputa com outros milhares de jovens”, explicou. Ele complementa, no entanto, que o ambiente do futebol, apesar de ser de inclusão, também é marcado pela exclusão.
Comunicação e a conexão com o torcedor
Roger Machado reconhece que sua comunicação, por vezes mais técnica, pode ter sido mal interpretada. Ele reflete sobre a necessidade de se conectar com o sentimento do torcedor, especialmente em momentos de dor após derrotas, indo além de explicações táticas e estratégicas.
“Isso me fez refletir que, muitas vezes, na dor da derrota, o torcedor deseja que o profissional se conecte com o seu sentimento, mais do que qualquer explicação teórica, técnica, estratégia, tática. Isso foi um grande aprendizado, e eu busco evoluir nesse sentido”, disse.
O futuro e o mercado brasileiro
Com planos de trabalhar no exterior, Roger Machado vê com bons olhos a vinda de treinadores estrangeiros para o Brasil, desde que haja reciprocidade na troca. Ele acredita que essa movimentação força os técnicos brasileiros a buscarem novos horizontes e mercados.
“Eu vejo com bons olhos a vinda do estrangeiro, desde que tenha uma reciprocidade nas idas e vindas. Porque a gente sabe que a possibilidade que eu tenho de ir para lá é diferente de vir para cá, em relação às licenças”, pontuou. O técnico busca oportunidades e pretende voltar a trabalhar ainda neste ano, com um forte interesse em atuar fora do Brasil para enriquecer sua experiência e visão de mundo.





