O primeiro dérbi de Manchester da temporada 2026/2027, disputado no domingo, 13 de setembro, foi marcado por uma vitória apertada do Manchester City sobre o United por 1 a 0, com um gol de Erling Haaland. Contudo, o lance que garantiu o resultado se tornou o centro de uma intensa polêmica. Inicialmente anulado por impedimento, o gol foi validado após uma longa revisão do VAR, que concluiu que Patrick Dorgu colocou o atacante norueguês em posição legal por uma margem mínima. A controvérsia se aprofundou com a alegação de que Enzo Fernández, em posição irregular, teria interferido na jogada ao tentar cabecear e importunar Lisandro Martínez. Diante da repercussão, Howard Webb, chefe da Pro Ref, pediu desculpas publicamente, atribuindo a decisão a um ‘erro de julgamento’ e ‘visão em túnel’.
A Análise do VAR e a Linha do Impedimento
A divulgação do áudio completo da cabine do VAR trouxe à tona os detalhes da análise que culminou na validação do gol de Haaland. A equipe de arbitragem em campo havia assinalado impedimento, mas o VAR iniciou a revisão focando na posição do atacante. “Ok, a decisão em campo é fora de jogo. A analisar a decisão de fora de jogo sobre Haaland”, ouve-se no áudio. Com o auxílio da tecnologia semiautomatizada ‘Genius’, que traça as linhas de impedimento, a equipe do VAR confirmou que Haaland estava, de fato, em posição legal no momento do passe. “Recomendação de posição legal”, informou o AVAR, e o VAR prontamente confirmou: “OK, está em posição legal”.
A Revisão da Fase de Posse Atacante (APP)
Após confirmar a legalidade da posição de Haaland, a equipe do VAR precisou analisar toda a Fase de Posse Atacante (APP) para verificar se não havia outra infração que invalidasse o gol. O foco, então, se voltou para a participação de Enzo Fernández. “Agora temos de analisar toda a APP”, disse o VAR. As imagens foram revisadas em câmera lenta e de diferentes ângulos para determinar se Enzo, mesmo em posição irregular, havia tocado na bola ou interferido na jogada. “Não há toque aí, certo? Não há toque aí?”, questionou o VAR, buscando confirmação de que o movimento de Enzo, ao tentar cabecear, não havia alterado a trajetória da bola ou influenciado diretamente a ação de Lisandro Martínez.
O Ponto Cego: Interferência ou Não Interferência?
A discussão sobre a interferência de Enzo Fernández foi o cerne da polêmica. Embora o VAR tenha concluído que não houve toque na bola por parte do jogador do Manchester United, a sua presença e o movimento de tentativa de cabeceio, estando em posição irregular, geraram debates acalorados. A própria admissão de Howard Webb, que falou em ‘erro de julgamento’ e ‘visão em túnel’, sugere que a complexidade do lance pode ter levado a uma interpretação questionável. A ‘visão em túnel’ pode ter focado excessivamente na ausência de toque, negligenciando o impacto da presença de Enzo na percepção e ação dos defensores.
A Decisão Final e a Repercussão Pública
Após a minuciosa revisão e a confirmação de que Haaland estava em posição legal e que Enzo Fernández não tocou na bola, o VAR comunicou a decisão final ao árbitro de campo, Michael Oliver. “Michael, confirmo que deves alterar a tua decisão para golo. O Haaland está em posição legal. Decisão final: golo, análise concluída”, finalizou o VAR. A validação do gol garantiu a vitória do Manchester City, mas a polêmica persistiu, culminando no pedido de desculpas da Pro Ref. O incidente reacendeu o debate sobre a interpretação das regras do VAR, especialmente em lances de impedimento e interferência, e a necessidade de clareza e consistência nas decisões arbitrais.





