Home / esporte / Sakina Ouzraoui: A ‘Cidadã do Mundo’ Nascida na Espanha, Formada na Bélgica e Estrela de Marrocos que Brilha na CAN 2026 e Sonha com a Copa no Brasil

Sakina Ouzraoui: A ‘Cidadã do Mundo’ Nascida na Espanha, Formada na Bélgica e Estrela de Marrocos que Brilha na CAN 2026 e Sonha com a Copa no Brasil

Sakina Ouzraoui: A ‘cidadã Do Mundo’ Nascida Na Espanha, Formada Na Bélgica E Estrela De Marrocos Que Brilha Na Can 2026 E Sonha Com A Copa No Brasil

Desde o apito inicial da Copa das Nações Africanas (CAN) de 2026, disputada em casa, Sakina Ouzraoui tem sido uma força imparável. Após ter sido a revelação da CAN anterior, a atacante consolidou-se como um dos pilares ofensivos de Marrocos, cativando torcedores com sua habilidade e determinação. Das ruas de Bruxelas aos gramados africanos, Ouzraoui personifica a esperança de um povo em busca do seu primeiro título continental.

Sua presença em campo é magnética. No recente empate em 0 a 0 contra o Senegal, no Estádio Moulay El Hassan, em Rabat, a jogadora protagonizou uma arrancada memorável aos 76 minutos, deixando defensores para trás em uma jogada que ficou marcada na fase de grupos. Embora o gol não tenha saído, o resultado garantiu a Marrocos a liderança invicta do grupo e a classificação para as quartas de final. Este não foi um feito isolado; no jogo de abertura contra o Quênia, Ouzraoui abriu o placar com uma finalização precisa, pavimentando o caminho para uma vitória expressiva de 4 a 0.

Para Sakina, esta CAN em solo marroquino é mais do que um torneio. Em entrevista à Welcome Africa, ela expressou a emoção de jogar em casa: “É a melhor experiência de toda a minha carreira. Pensava que nada superaria o Mundial que disputei, mas jogar uma Taça das Nações Africanas em casa, com mais de 40.000 pessoas a apoiar-te, não se vive todos os dias”. A vice-campeã continental em título almeja, desta vez, erguer a taça.

A Ascensão em Campo: Da CAN 2024 à Brilhante Campanha de 2026

Antes do confronto decisivo com o Senegal, Ouzraoui demonstrou lucidez, lembrando que a classificação não estava garantida e que as equipes evoluem. Essa mentalidade reflete uma carreira onde nada é dado como certo. Além do objetivo imediato da CAN, o grande sonho é o Mundial de 2027 no Brasil. “É um sonho dentro de um sonho. Quem pode pedir mais? É o país do futebol, do Joga Bonito. Gostaríamos muito de ir lá mostrar o nosso futebol e dar a conhecer Marrocos à América do Sul”, revelou à FIFA, com os olhos brilhando.

Uma Trajetória Global: De L’Hospitalet às Ruas de Bruxelas

A jornada de Sakina Ouzraoui Diki começou em L’Hospitalet de Llobregat, na Espanha, onde nasceu em 29 de agosto de 2001. A infância a levou à Bélgica, onde a família se fixou após o pai perder o emprego. Lá, a ginástica artística, sua paixão inicial, deu lugar ao futebol. Sem clubes de ginástica disponíveis em Bruxelas, Sakina começou a jogar nas ruas e no recreio da escola. Foi um professor quem notou seu talento, impulsionando-a para o RWDM Brussels, seu primeiro clube, antes de despertar o interesse do gigante Anderlecht.

A Escolha do Coração e o Legado Histórico

No Anderlecht, Ouzraoui colecionou troféus, incluindo cinco títulos de campeã belga e uma Taça. No entanto, a decisão mais significativa viria no âmbito internacional. Apesar de ter recebido propostas da Bélgica, ela recusou, afirmando ao jornal espanhol El Día: “Honestamente, não me sentia belga. Os únicos países pelos quais queria jogar eram Espanha e Marrocos, que era a minha opção número um. Trago-o no coração. É o país dos meus pais, mas também me sinto marroquina”. A decisão estava tomada: jogaria por Marrocos. Sua estreia pelas Leoas do Atlas ocorreu em 6 de outubro de 2022, e menos de um ano depois, ela disputaria seu primeiro grande torneio: o Mundial de 2023 na Austrália e Nova Zelândia.

No Mundial, com apenas 21 anos, Ouzraoui foi lançada no palco global. Após uma derrota pesada para a Alemanha, Marrocos reagiu com vitórias históricas sobre Coreia do Sul e Colômbia, garantindo uma inédita qualificação para as oitavas de final, um feito para uma nação árabe. A aventura terminou contra a França, mas Ouzraoui jogou todas as partidas, destacando-se entre as melhores dribladoras do torneio. “Foi a minha primeira experiência na seleção nacional, tudo era novo para mim e defrontei jogadoras que via na televisão. Hoje, evoluí muito e espero continuar neste caminho”, recorda.

A Dribladora-Mor da LaLiga F e o Orgulho de Ser ‘Cidadã do Mundo

A CAN de 2024, disputada em Marrocos, marcou a consolidação de Ouzraoui como uma estrela. Ela foi a revelação do torneio, marcando o gol de empate crucial nas semifinais contra Gana, que levou Marrocos à final, perdida para a Nigéria. Fora dos relvados, seu sucesso é atribuído ao apoio incondicional da família e à fé. “A minha família é tudo para mim. Sempre me apoiaram. Sem eles, não estaria aqui hoje”, afirmou. Seu marido, Nabil Chajari, complementou: “Ela merece. Trabalha muito. E tem um parceiro que acredita nela, que a incentiva a superar-se sempre. Fez tudo isto com o coração”.

No plano de clubes, o verão de 2024 marcou sua mudança para o Costa Adeje Tenerife, na Espanha, um retorno ao país que sempre considerou casa. Após uma primeira temporada de adaptação, Ouzraoui brilhou na seguinte, tornando-se titular indiscutível e a jogadora com mais tentativas de drible em toda a LaLiga F, liderando tanto em volume quanto em eficácia. Sua parceria com a atacante argentina Gramaglia se tornou uma marca registrada do ataque de Tenerife, com Sakina acelerando e a argentina finalizando.

Nascida na Espanha, formada na Bélgica e marroquina de coração, Sakina Ouzraoui representa uma geração de jogadoras biculturais que impulsionaram o futebol feminino de Marrocos. Ela se vê como uma “cidadã do mundo”: “Onde quer que vá, sinto que não pertenço totalmente a um só lugar, e isso ensinou-me a aceitar quem sou e a ter orgulho das minhas raízes”. Consciente de seu papel como modelo, ela transmite uma mensagem de esperança e perseverança: “Que nunca deixem de acreditar nem de sonhar. O caminho não é fácil, há críticas e muitos estereótipos, mas é preciso lutar contra esses obstáculos. Quando és boa numa área e lutas para lá chegar, ninguém te pode travar, com uma única condição: nunca baixar os braços”.

Essa filosofia resume a trajetória da ginasta que se tornou uma dribladora excepcional, de L’Hospitalet a Bruxelas, de Anderlecht a Tenerife, e agora a Rabat, onde carrega as esperanças de todo um país rumo a um título continental que, mais uma vez, será disputado em casa.

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