O estopim da crise: Venda de ativos da Copa do Mundo
A gestão de Gianni Infantino na Fifa entra em 2025 sob forte pressão, com uma crise interna que se intensifica. O estopim foi a revelação de um plano do presidente para vender uma porcentagem dos ativos da Copa do Mundo a investidores. Essa manobra, no entanto, é apenas a ponta do iceberg de uma disputa que se arrasta há anos, marcada por um embate direto entre Infantino e as federações europeias, que veem suas posições ameaçadas.
Sinais de alerta: Eventos que evidenciam o conflito
Dois episódios recentes exemplificam a transformação de uma “guerra fria” em um confronto aberto. Em maio do ano passado, durante o Congresso da Fifa no Paraguai, uma viagem de Infantino aos Estados Unidos ao lado do então presidente Donald Trump atrasou o início do evento em mais de duas horas. A atitude foi vista por muitos dirigentes europeus como um desrespeito, culminando com a ausência de cerca de 20 delegados, que não retornaram aos seus assentos após um intervalo, deixando de votar em protesto.
A ausência na final e a articulação política
Outro evento significativo ocorreu em 19 de julho de 2026, na final da Copa do Mundo em Nova Jersey. O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, não compareceu ao evento, mesmo com a Espanha, uma de suas seleções filiadas, disputando o título. Embora a imprensa europeia tenha inicialmente atribuído a ausência a problemas ocorridos durante o Mundial, como a anulação de um cartão vermelho que irritou os europeus, a verdade é que, um dia antes, Infantino havia confidenciado a alguns funcionários seu plano de vender parte da Copa. É provável que essa informação tenha chegado a Ceferin, motivando sua ausência.
Oposição se articula: Concacaf e a busca por sucessão
A oposição a Infantino não se limita à Europa. Movimentos sutis, mas significativos, indicam uma crescente resistência. O convite do presidente da Uefa ao árbitro somali Omar Artan para apitar a Supercopa Europeia, por exemplo, aproximou Ceferin da Confederação Africana, um dos principais braços políticos de Infantino. Paralelamente, o presidente da Concacaf, Victor Montagliani, tem adotado um discurso crítico. Durante o Congresso da entidade em Vancouver, em abril, ele afirmou que “liderança não é sobre poder, é sobre prestar serviço”, uma declaração que, à época vista como deferência, hoje soa como crítica velada. Montagliani desponta como um potencial candidato à sucessão de Infantino, caso o atual presidente caia ou não consiga a reeleição.
O futuro de Infantino em jogo: A eleição de 2027
O futuro de Gianni Infantino na Fifa está intrinsecamente ligado à sua capacidade de articulação política com as federações nacionais. São essas federações que detêm o poder de voto na eleição presidencial, marcada para março de 2027, ou em uma eventual assembleia extraordinária que possa antecipar sua saída. A intensificação da “guerra fria” e a emergência de oposições internas indicam que os próximos anos serão cruciais para a permanência do atual presidente no comando da entidade máxima do futebol mundial.





