Uefa lidera oposição contra plano de privatização da Fifa
A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) elevou o tom contra a proposta da Fifa de vender participações em eventos como a Copa do Mundo a investidores privados. Em um comunicado contundente, a entidade ameaçou retirar todos os seus 55 países-membros de competições globais caso o plano do presidente Gianni Infantino avance. A Uefa rejeitou a ideia de forma “unânime e inequívoca”, criticando o curto prazo de 53 dias estabelecido pela Fifa para a votação da proposta, que visa arrecadar US$ 10 bilhões com a Thrive Capital.
Disputa política e comercial entre Fifa e Uefa
A tensão entre as duas entidades não é nova e envolve disputas comerciais e políticas. A expansão da Copa do Mundo de Clubes, promovida pela Fifa, é vista como uma ameaça ao domínio da Liga dos Campeões como produto global de futebol, além de apertar o calendário de competições. O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, já havia demonstrado insatisfação anteriormente, como ao não comparecer à final da Copa do Mundo, mesmo com a Espanha na disputa, e ao criticar a interferência da Fifa em suspensões de jogadores.
Divisões internas e posicionamentos continentais
Apesar da declaração de unanimidade da Uefa, a Federação Tcheca de Futebol, por meio de seu presidente David Trunda, expressou apoio à iniciativa de Infantino, citando “benefícios pragmáticos”. A Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) também rejeitou a proposta, defendendo que “o futebol deve se manter nas mãos do futebol”. A Confederação Asiática de Futebol (AFC) demonstrou desapontamento com a divulgação pública antecipada da proposta, sem discussões prévias entre as confederações. Ambas as entidades, Concacaf e AFC, embora questionem o processo, reconhecem o potencial benefício financeiro para federações menores.
Conmebol e CAF: caminhos incertos e alinhamentos estratégicos
A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) ainda não se pronunciou oficialmente, mas há uma tendência de apoio, considerando o endosso prévio à reeleição de Infantino e o interesse em expandir o número de seleções na Copa do Mundo de 2030. A Confederação Africana de Futebol (CAF) é vista como uma aliada histórica de Infantino, tendo também endossado sua reeleição. O presidente da CAF, Patrice Motsepe, que aspira suceder Infantino, busca evitar um confronto político aberto neste momento. O apoio da CAF é estratégico, representando a segunda maior entidade em número de membros, fundamental para atingir os 106 votos necessários para aprovação das propostas na Fifa.





