Após uma época de contrastes, marcada pela glória europeia na Liga dos Campeões de futsal, mas com a perda do campeonato nacional para o rival Benfica, Tomás Paçó, fixo internacional português do Sporting, faz o balanço da temporada. Em entrevista, o jogador leonino abordou a exigência diária imposta por Nuno Dias, a particularidade de partilhar o balneário com o irmão Bernardo Paçó, as críticas dirigidas aos guarda-redes e o impacto do regresso de Erick Mendonça.
O Sabor Agridoce da Conquista Europeia
A temporada do Sporting foi, nas palavras de Tomás Paçó, “difícil” e de “sabor agridoce”. Apesar da conquista da Supertaça e, de forma histórica, da Liga dos Campeões – onde os Leões venceram quatro das cinco melhores equipas do ranking UEFA (Kairat, Cartagena, Benfica e Palma) –, a equipa não conseguiu replicar o sucesso nas competições domésticas. “Fizemos história ao ganhar a Champions, mas quem joga no Sporting sabe que não chega”, afirmou Paçó, sublinhando a exigência leonina por todos os títulos.
A perda do campeonato, da Taça da Liga e da Taça de Portugal deixou um amargo de boca. Paçó recorda a importância da Champions como um ponto de viragem: “Falávamos no balneário que poderíamos ainda dar uma resposta e fazer uma das melhores épocas, que era ganhar a Champions e o campeonato, ou poderíamos fazer a pior época de sempre do Sporting e ficarmos marcados pelo mal também.” O fixo lamenta a derrota nos penáltis no terceiro jogo da final do campeonato na Luz, um momento que, segundo ele, poderia ter mudado a história. Para a próxima época, a meta é clara: “recuperar tudo o que temos que recuperar.”
O Desafio da Rivalidade e os Reforços
Tomás Paçó reconhece o salto qualitativo do Benfica nas últimas duas épocas, desde a chegada de Cassiano Klein, que trouxe “qualidade e uma mentalidade” diferente. “Eles deram um salto e nós temos que dar um salto ainda maior”, enfatiza. A equipa leonina precisa de “trazer alguma maturidade ao jogo”, aprender a “saber sofrer” e impor o seu estilo desde o início, como fizeram na Champions. A ausência de jogadores-chave como Zicky Tê (com quem Paçó fez uma aposta de 100 euros sobre golos e assistências, que venceu), Tainãn e Henrique foi sentida, mas o fixo acredita que o coletivo precisa de mais.
O regresso de Erick Mendonça é visto como um reforço crucial. “Vem trazer muita coisa. Vem trazer uma mentalidade que estávamos a precisar, a tal mentalidade de entrar no jogo já a ganhar”, explica Paçó, destacando a capacidade de Erick para atuar em várias posições e a sua influência positiva no balneário.
Entre a Baliza e a Pressão Psicológica
Jogar com o irmão Bernardo Paçó na baliza do Sporting é “muito bom, mas também difícil”. Tomás revela que sente mais nervosismo pelo irmão do que por si próprio, especialmente devido às críticas “muitas vezes injustas” dirigidas aos guarda-redes. “A posição de guarda-redes é a mais ingrata que existe no futebol e no futsal”, defende, apontando que Bernardo foi o melhor guarda-redes do Europeu, da Champions e da fase regular do campeonato, mas “mesmo assim não serve para a baliza do Sporting” para alguns adeptos.
Lidar com a pressão e as críticas é um desafio constante para os atletas. Tomás Paçó partilha a sua estratégia de separar o trabalho da vida pessoal: “Chego a casa, não quero falar mais nada sobre futsal.” O Sporting oferece apoio psicológico, e Paçó recorre pontualmente ao psicólogo da seleção para desabafar. Esta separação é vital para a saúde mental, dada a visibilidade e as consequências dos erros no desporto profissional.
A Liderança no Banco e o Futuro do Futsal
Tomás Paçó não poupa elogios a Nuno Dias, o treinador do Sporting: “Para mim é o melhor treinador do mundo.” Embora exigente e direto, Paçó entende que a pressão de Dias visa extrair o melhor de cada jogador. A saída de João Matos, o capitão, deixará um vazio no balneário. “As palavras dele vão faltar naquele momento-chave”, afirma Paçó, que espera que outros jogadores assumam a responsabilidade da liderança.
Sobre a seleção nacional, que vive um período de renovação, Paçó acredita que “falta alguma maturidade nesta nova geração”, um processo natural que exige tempo. Jorge Braz, o selecionador, é igualmente elogiado: “É mais um gestor emocional, não vai tanto ao atleta, vai à pessoa.” Paçó vê o futuro da seleção com otimismo, apesar dos desafios.
A nível do campeonato português, Paçó defende que a liga está a evoluir, mas ainda há “muita discrepância” a meio da tabela. Sugere um maior apoio da federação aos clubes para profissionalização, a criação de um salário mínimo e iniciativas para atrair mais público. A entrada do FC Porto no futsal é vista como um fator positivo para aumentar a competitividade e o interesse. Para os adeptos do Sporting, a mensagem é de agradecimento e um apelo ao apoio contínuo para “trazer todos os títulos para o Sporting, para o nosso museu”.
Questionado sobre o seu melhor cinco de sempre, Tomás Paçó não hesita: “De guarda-redes vou pôr o meu irmão, como é óbvio. […] A fixo meto o Erick, a pivô meto o Zicky. Nas alas, meto o Merlim de um lado, e, do outro, meto o Wesley.”





