Home / esporte / Por que gigantes do futebol brasileiro acumulam ‘transfer ban’ sem perder pontos?

Por que gigantes do futebol brasileiro acumulam ‘transfer ban’ sem perder pontos?

Por Que Gigantes Do Futebol Brasileiro Acumulam ‘transfer Ban’ Sem Perder Pontos?

A sanção que trava contratações

O transfer ban é uma punição administrativa imposta pela Fifa a clubes de futebol que descumprem regras e regulamentos, impedindo o registro de novos jogadores. Geralmente, essa sanção ocorre por falta de pagamento de dívidas relacionadas a contratações, comissões ou outras obrigações contratuais. Cada bloqueio de registro é resultado de um processo específico, não sendo uma penalidade progressiva automática.

Escala de punições da Fifa

De acordo com o Artigo 21 do Código Disciplinar da Fifa, o clube devedor é inicialmente notificado, recebendo multa e um prazo final para quitar a pendência. Caso o pagamento não ocorra, o transfer ban é aplicado. A perda de pontos ou rebaixamento, as punições esportivas mais severas, só são aplicadas em casos de ‘inadimplência persistente’. A Fifa define isso como situações em que o transfer ban foi cumprido por mais de três janelas de registro consecutivas sem a quitação da dívida, ou em casos de reincidência grave e repetida.

O caso do Cruzeiro e a inadimplência persistente

Um exemplo notório de aplicação de perda de pontos foi o do Cruzeiro na Série B de 2020. O clube foi penalizado com seis pontos a menos por não quitar uma dívida de aproximadamente R$ 5 milhões referente à contratação do volante Denílson em 2016. Após quatro anos de processo e esgotadas as instâncias de recurso, o clube ultrapassou o período do transfer ban sem regularizar o débito. Diante da falta de pagamento e de acordo, a Fifa acionou um estágio mais severo de seu Código Disciplinar, determinando a perda compulsória de pontos no campeonato nacional.

Transfer ban como ferramenta de pressão e planejamento

Na prática, o transfer ban tem sido encarado por alguns clubes brasileiros como um mecanismo de pressão financeira, onde o clube se reorganiza para sanar pendências apenas após a punição. O jornalista Andrei Kampf aponta que, para alguns clubes, o risco do transfer ban se tornou parte do planejamento financeiro, sendo tratado como um custo temporário. Essa abordagem, segundo ele, pode enfraquecer o poder dissuasório do sistema disciplinar, especialmente quando a recuperação judicial permite que o clube se mantenha competitivo mesmo com reiteradas violações de decisões internacionais.

O Sistema de Sustentabilidade Financeira da CBF

O futebol brasileiro busca aprimorar sua governança com o Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) da CBF. Este sistema estabelece regras mais rigorosas de solvência, controle de custos e limites de endividamento, prevendo um leque de sanções progressivas que podem ir de advertências a multas, deduções de pontos e até rebaixamento. No entanto, a aplicação plena das sanções esportivas mais severas está em um cronograma gradual, com caráter educativo nos anos de 2025 e 2026, e a plena efetivação prevista apenas a partir de 2029. A integração entre o regime nacional e o da Fifa, com critérios objetivos para reincidência em transfer bans, é um debate em andamento, visando maior rigor e credibilidade na aplicação das obrigações financeiras do futebol brasileiro.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

© 2025 simbadpsports - Todos os direitos reservados Termos de uso. O conteúdo deste site, incluindo todos os textos, imagens e materiais são propriedade exclusiva da simbadpsports e não podem ser reproduzidos, modificados ou distribuídos sem permissão prévia por escrito.