Ambiente Hostil e Atrasos Marcam o Julgamento
O julgamento que apura a responsabilidade da equipe médica na morte de Diego Maradona, ocorrida em novembro de 2020, já completa três meses em San Isidro, Argentina, e se encaminha para sua reta final, mas sem data definida para o encerramento. O processo, que inicialmente deveria terminar em julho, segue se estendendo, com expectativas de continuar ao longo de agosto. Cerca de 70 depoimentos e mais de 25 audiências já foram realizadas, mas o ambiente na sala de julgamento tem sido marcado por tensão, brigas e cenas incomuns.
A Estratégia de Luque e o Confronto com a Filha de Maradona
Leopoldo Luque, médico pessoal do craque e um dos sete profissionais de saúde acusados de homicídio com dolo eventual, tem adotado uma estratégia particular: assistir a todas as audiências e intervir sempre que se sente comprometido. Em uma das sessões, Luque precisou ajudar seu próprio advogado a conectar um cabo HDMI para exibir um vídeo da autópsia de Maradona. A projeção do vídeo, no entanto, gerou um momento de grande comoção quando Gianinna Maradona, filha do ídolo, afetada pelas imagens, levantou-se gritando insultos e deixou a sala. A audiência foi suspensa, com Luque alegando não ter percebido a presença dela, versão contestada pela família.
Rivalidade Entre Advogados e Gestos Inesperados
O juiz Alberto Gaig, que preside o tribunal, tem atuado como árbitro em meio às frequentes discussões entre os advogados das partes. A rivalidade entre Fernando Burlando, que representa a família, e Francisco Oneto, advogado de Luque, é notória. Trocas de farpas e interrupções são comuns, chegando a um ponto em que uma audiência foi suspensa devido a uma discussão acalorada que continuou do lado de fora da sala, com os juristas trocando insultos. Em meio a essa tensão, gestos inesperados surgiram: em uma manhã fria de junho, um advogado distribuiu alfajores entre os presentes, e em outra ocasião, pães de queijo foram oferecidos, com alguns advogados buscando o contato das marcas para futuras encomendas.
A Maquete Itinerante e a Revelação do Adiamento
Um elemento que se tornou peça central no julgamento é uma maquete em escala da casa em Tigre, onde Maradona faleceu. Criada por estudantes da Universidade de Belgrano, a maquete, com cerca de dois metros por um, é trazida à sala de audiências sempre que testemunhas precisam situar os ambientes da residência. No entanto, a maquete, os lanches e as brigas parecem secundários diante de uma revelação que joga luz sobre o próprio andamento do processo: o julgamento atual não deveria estar ocorrendo. Um primeiro julgamento, previsto para 2025 com os mesmos envolvidos, foi suspenso ao se descobrir que uma das juízas participava secretamente da produção de um documentário sobre o caso.





