A tensão pré-jogo é palpável. Às vésperas da semifinal do Mundial de 2026, que acontecerá em 14 de julho, a França se prepara para um embate decisivo contra a Espanha, carregando o peso de duas derrotas consecutivas para a Roja. “Há duas opções: ou eles chegam a três finais de Mundial consecutivas, ou nós vencemo-los pela terceira vez”, provocou Lamine Yamal à RTVE, resumindo o que está em jogo. O técnico espanhol, Luis de la Fuente, reforça a confiança: “Tenho certeza de que a França está tão preocupada quanto nós. Lembrem-se de que vencemo-los em dois jogos consecutivos. São duas equipas incríveis”. A história recente entre as nações, de fato, alterou o equilíbrio de forças.
O Início da Virada: Euro 2024 e o Recorde de Yamal
O primeiro capítulo dessa nova rivalidade foi escrito na semifinal da Euro-2024, na Allianz Arena. Kylian Mbappé, capitão dos Bleus, optou por jogar sem a máscara de proteção, incomodado pela limitação de visão após fraturar o nariz. O gesto, contudo, não trouxe sorte. A França começou bem, com Randal Kolo Muani abrindo o placar aos 9 minutos. A euforia durou pouco. Lamine Yamal, então com apenas 16 anos, empatou aos 21 minutos com um chute de pé esquerdo, tornando-se o mais jovem artilheiro da história das fases finais da Euro. Quatro minutos depois, Dani Olmo aproveitou um desvio e colocou a Roja em vantagem de 2 a 1, placar que se manteve até o fim. Na zona mista, Mbappé foi direto: “Minha competição foi falhada. Não fui bom, vamos para casa, é simples”. A Espanha seguiu invicta no torneio e, cinco dias depois, levantou o troféu em Berlim.
A Reviravolta Frenética da Liga das Nações 2025
Um ano depois, em 5 de junho de 2025, na MHP Arena, em Estugarda, as equipes se reencontraram na semifinal da Liga das Nações. A história parecia se repetir, ainda pior para os Bleus, desfalcados de três titulares defensivos. Impulsionada por um Lamine Yamal novamente brilhante, a Espanha dominou, abrindo 3 a 0 no primeiro tempo e chegando a incríveis 5 a 1 no segundo, com gols de Nico Williams, Mikel Merino, Yamal (duas vezes, de pênalti) e Pedri. Foi a primeira vez desde 1969 que a França sofria cinco gols. No entanto, a entrada do jovem Rayan Cherki mudou o panorama. Ele marcou um golaço, provocou um gol contra e deu assistência para Kolo Muani, levando o placar para 5 a 4 nos acréscimos. Apesar da derrota, o vestiário francês exibia uma mistura de frustração e orgulho pela reação. Do lado espanhol, Lamine Yamal, eleito homem do jogo, era o nome em todas as conversas, tornando-se o primeiro jogador a marcar três gols contra a França na carreira desde Pelé em 1958, um feito que impulsionou sua corrida pela Bola de Ouro.
Um Verão Negro e o Histórico Atualizado
O domínio espanhol não se limitou às seleções principais. No verão de 2024, apenas três semanas após a derrota na Euro, a seleção olímpica francesa também perdeu para a Espanha na final dos Jogos Olímpicos de Paris por 3 a 5, selando um período sombrio nos duelos franco-espanhóis em todas as categorias. No panorama geral, a balança histórica, que remonta a 1922, pende para a Espanha, com 18 vitórias contra 13 da França em 38 confrontos. Essa supremacia se acentuou desde o final dos anos 2000, com a geração Xavi-Iniesta. Nos últimos 10 confrontos entre as seleções A desde 2006, a Espanha venceu seis, a França três, com apenas um empate. A vantagem espanhola em gols marcados neste período é clara, e os três gols de Lamine Yamal nos últimos dois duelos diretos reforçam a confiança espanhola.
Mundial 2026: O Peso da História e a Promessa de um Duelo Épico
A semifinal de 14 de julho de 2026 será apenas o segundo confronto entre as duas nações em Copas do Mundo. O único precedente remonta a 27 de junho de 2006, em Hannover, nas oitavas de final, quando uma França liderada por Zinédine Zidane virou o jogo contra a Espanha (3 a 1), com gols de Franck Ribéry, Patrick Vieira e do próprio Zidane. Uma memória de 20 anos, distante do atual equilíbrio de forças. Com o Mundial de 2026 expandido para 48 seleções e sediado nos Estados Unidos, Canadá e México, o palco está montado para um terceiro ato de alta tensão. A França buscará quebrar o jejum e se vingar, enquanto a Espanha tentará confirmar seu domínio recente e avançar para a final, alimentando a narrativa de que “não há duas sem três”.





