Buenos Aires, Argentina – Milhares de torcedores argentinos desafiaram a chuva fria na noite desta segunda-feira para saudar a seleção nacional, que retornou ao país após conquistar o vice-campeonato mundial de 2026. A chegada, no entanto, foi marcada pela notável ausência do capitão Lionel Messi e de outros jogadores importantes, que seguiram diretamente para seus destinos de descanso ou clubes.
A festa na chuva: a paixão dos torcedores
O avião que transportava a delegação argentina aterrissou por volta das 18h20 locais (22h30 em Lisboa) no aeroporto de Ezeiza, a 32 quilômetros da capital. Os jogadores desceram por um tapete vermelho ao som de uma banda, em imagens transmitidas pela Aerolíneas Argentinas. Sem contato direto com o público no aeroporto, a equipe e a comissão técnica embarcaram em dois ônibus rumo ao centro da AFA, a apenas quatro quilômetros de distância. Ao longo do percurso, que ocorreu em ritmo lento, grupos de adeptos saudavam e agitavam bandeiras à beira da estrada.
No complexo da AFA, mesmo antes da chegada do avião, uma multidão já entoava canções, slogans e o hino nacional sob uma chuva persistente. Fogos de artifício e vuvuzelas ecoavam em um mar de bandeiras e camisas azuis e brancas. “Nós, os argentinos, fazemos a festa na mesma”, explicou Marga Ledezma, de 36 anos, à agência France-Presse (AFP). Cintia Flores, de 46, emocionou-se ao afirmar: “O que nos leva a estar aqui, apesar do resultado, são os valores desta seleção, o respeito que eles têm e a paixão”.
O lamento de Messi e a ausência das estrelas
A ausência de Lionel Messi e do médio Rodrigo de Paul foi confirmada pela Associação de Futebol Argentino (AFA) na madrugada de domingo, que comunicou que “alguns jogadores do plantel partirão diretamente dos Estados Unidos para diferentes destinos”. Messi e De Paul, companheiros de clube no Inter Miami, seguiram de Nova Iorque para a Flórida. Em sua primeira declaração após a final, na qual a Argentina perdeu para a Espanha, Messi expressou em sua conta no Instagram: “a dor é muito intensa” e a “ferida vai demorar a sarar”. Contudo, a estrela de 39 anos também destacou o feito da equipe: “Hoje é difícil valorizar devidamente o que alcançamos, mas esta equipe chegou a duas finais consecutivas do Mundial”.
Um retorno diferente do êxtase de 2022
A chegada “quase discreta” da seleção contrasta fortemente com a recepção extraordinária de 2022, quando a Argentina conquistou o título mundial. Naquela ocasião, uma multidão sem precedentes, estimada entre quatro e cinco milhões de pessoas, aglomerou-se ao longo do percurso do ônibus de dois andares, paralisando a cidade e exigindo que o desfile terminasse com um helicóptero sobrevoando o centro. Desta vez, os ônibus dos jogadores, um deles de dois andares, apenas abrandaram enquanto os atletas acenavam à multidão antes de entrar no recinto da AFA, encerrando a festa.
Celebração espontânea e o futuro incerto
Apesar da derrota na final, vários milhares de adeptos já haviam se reunido por longas horas no domingo à noite em torno do Obelisco, no coração da capital, em uma celebração barulhenta e festiva com ares de vitória, marcada pela gratidão para com Messi e a equipe. Contudo, nem a AFA nem as autoridades argentinas se pronunciaram sobre uma eventual celebração oficial para a equipe. O anúncio prévio do Presidente Javier Milei sobre a declaração de um feriado para homenagear os vice-campeões não se concretizou nesta segunda-feira, deixando a emoção dos torcedores como o principal tributo à garra da seleção.





