O grito de guerra ecoa a cada vitória: “Por Malvinas, por El Diego e pela última de Leo”. Essa canção resume a essência da Argentina nesta Copa do Mundo, uma jornada que transcende o esporte, conectando a paixão nacional à memória de guerras, ídolos e a esperança de um título inédito com Lionel Messi como protagonista.
A Era Messi e a Construção da ‘Scaloneta’
Lionel Messi, astro que por muito tempo teve uma relação complexa com sua seleção, encontrou nos últimos anos uma forma de canalizar a paixão de suas raízes rosarianas. Essa força emocional é espelhada na figura de Lionel Scaloni, técnico discreto que construiu a ‘Scaloneta’ sobre a humildade e a singularidade. Scaloni evita comparações, focando em uma equipe que encontra combustível na devoção a Maradona e, claro, a Messi.
O Sofrimento como Método: A Essência Argentina
A versão 2026 da ‘Scaloneta’ abraçou o sofrimento como um pilar de sua estratégia. Jogadores como Julián Álvarez, Thiago Almada e o próprio Messi repetem que a Argentina “sabe sofrer”, uma característica intrinsecamente ligada à identidade do país, como retratado no tango ‘Naranjo en flor’. A questão que paira é: quem sofre mais, a Argentina ou seus adversários?
Viradas Épicas e a Pressão Argentina
Após uma primeira fase impecável, a Argentina enfrentou desafios inesperados contra Cabo Verde e Egito, precisando de prorrogações e viradas memoráveis. O confronto contra a Inglaterra, carregado de rivalidade histórica, foi decidido por detalhes, evidenciando a capacidade da equipe de reverter placares desfavoráveis. Dos 11 gols marcados no mata-mata, nove saíram após os 34 minutos do segundo tempo, com seis ocorrendo na prorrogação ou acréscimos. Essa pressão constante, que sufoca os rivais a partir dos 20 minutos do segundo tempo, é um diferencial tático, muitas vezes potencializado por circunstâncias como expulsões ou mudanças defensivas adversárias.
Resiliência e Superstição: Domesticando o Destino
A Argentina demonstra uma recusa em sair de campo derrotada, construindo uma equipe que o técnico Carlo Ancelotti descreveria como a mais resiliente. Essa determinação se estende a rituais e superstições que buscam garantir a quarta estrela. Desde o tradicional ‘asado’ pós-vitória até o uso de Palo Santo nos vestiários e desenhos de bandeiras no cabelo, os argentinos se apegam a amuletos. O presidente Javier Milei, inclusive, preserva o ritual de assistir aos jogos em Buenos Aires. Essas práticas, longe de serem banais, são a maneira encontrada para “domesticar o destino” e honrar ‘El Dios’ Maradona, em uma Copa que pode ser o último capítulo de Messi e da ‘Scaloneta’.





