A poucos dias do início da Copa do Mundo na América do Norte, a vibrante atmosfera de celebração que geralmente toma conta dos países anfitriões da Copa do Mundo está surpreendentemente ausente em Nova York. A metrópole americana, que juntamente com Nova Jersey sedia parte do torneio, demonstra um notável desinteresse pela maior competição de futebol do planeta.
Times Square e a Ausência do Futebol
Nem mesmo nos icônicos telões da Times Square, o coração pulsante de Nova York por onde transitam mais de 300 mil pessoas diariamente, há qualquer menção à Copa do Mundo. A edição deste ano, a maior da história com 48 seleções e 104 jogos distribuídos por Estados Unidos, Canadá e México, parece passar despercebida em meio ao agito turístico e à paisagem urbana.
O “Soccer” e a Competição com Esportes Americanos
Shanely Leonardini, fotógrafa de 21 anos e filha de bolivianos, observa que, embora Nova York seja um caldeirão cultural com potencial para atrair diversos torcedores, a energia típica de Copa do Mundo não é plenamente sentida. Ela atribui essa apatia à forte presença de outros esportes nos Estados Unidos, como beisebol, basquete e futebol americano. A coincidência com as finais da NBA, com o time local New York Knicks em busca do título inédito desde 1999, acentua ainda mais essa disputa pela atenção do público.
Desconhecimento e Curiosidade Local
O desconhecimento sobre o esporte é evidente entre alguns nova-iorquinos. Nick Chay, garçonete em Morristown, cidade que abriga o centro de treinamento da seleção brasileira, admite acompanhar pouco o futebol. Ela cita Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar como únicos jogadores que conhece, e demonstra surpresa ao ser questionada sobre a nacionalidade de Neymar e sobre a morte recente de Pelé. Apesar de um bar em sua cidade anunciar a transmissão de jogos do Mundial, ela não sabe quais partidas serão exibidas nem como está a seleção americana.
O Papel da Comunidade Estrangeira e das Marcas
O pouco clima de Copa do Mundo nos EUA é, em grande parte, impulsionado por estrangeiros, especialmente latinos e brasileiros que vivem ou visitam a cidade. Eles buscam ativamente locais que transmitam os jogos, como o pub Legends, que exibe partidas de diversas ligas internacionais. Eventos promovidos por marcas ligadas ao futebol, como a Jordan, subsidiária da Nike, também buscam fomentar o interesse. Um exemplo foi a celebração da cultura brasileira em Seward Park, com comidas típicas e atividades esportivas. Lilibeth Star, criadora de conteúdo e filha de venezuelanos, reconhece a existência de uma “bolha” entusiasta entre a comunidade latina, mas pondera que o interesse geral da população americana ainda é limitado. Ela expressa a esperança de que a Copa do Mundo nos EUA gere um “boom” de interesse pelo esporte, despertando a curiosidade de americanos com diferentes origens étnicas.
Apesar de Nova York não sediar jogos diretamente, o MetLife Stadium, em East Rutherford (Nova Jersey), a poucos quilômetros de Manhattan, será palco de importantes partidas, incluindo a estreia do Brasil contra Marrocos e a grande final do torneio em 19 de julho.





