Reconhecimento Histórico e Indenização às Pioneiras
A proximidade da Copa do Mundo Feminina de Futebol de 2027, sediada no Brasil, traz consigo um importante marco de reconhecimento para as mulheres que pavimentaram o caminho da modalidade no país. Uma nova lei, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, garante uma indenização de R$ 500 mil a cada jogadora que representou o Brasil em 1988 (no Mundial experimental) e em 1991 (na primeira Copa oficial). Essa compensação, semelhante à oferecida aos jogadores da seleção masculina campeã em 2014, visa resgatar a dignidade e valorizar o esforço dessas atletas pioneiras.
Um Ato de Justiça e Dignidade
A ex-meio-campista Marcinha, que disputou a Copa de 1991, expressou à Agência Brasil a importância desse reconhecimento: “Trata-se de resgatar uma dignidade que foi negada por décadas. É prova de que aquela luta em campo finalmente foi reconhecida para a história oficial do nosso país. Lógico, vai ajudar bastante muita gente, mas acho que o reconhecimento é muito importante, não só na parte financeira.” O valor também será estendido aos sucessores legais de atletas falecidas. Há discussões em andamento para estender essa reparação à geração de 1995.
Desafios para a Geração Atual
Apesar dos avanços, a realidade da maioria das jogadoras de futebol feminino no Brasil ainda é de precariedade. Um estudo do Governo Federal aponta que cerca de 70% das atletas possuem outra ocupação para complementar a renda, e menos de 20% têm vínculo profissional. Três em cada dez jogadoras profissionais não recebem salário ou ajuda de custo, evidenciando a falta de garantias a longo prazo e a necessidade de consolidar a imagem pública para tranquilidade, inclusive no pós-carreira.
O Papel do Mercado e o Legado da Copa
Juliana Manzato, sócia da W Sports, destaca que a estrutura do futebol feminino ainda é precária, em parte pela visão de que a modalidade é apenas social e não um potencial de mercado. Para Isabela Daneluci, também da W Sports, o legado da Copa de 2027 dependerá de um olhar comercial mais amplo. Marcas que já investem no esporte feminino há mais tempo colhem frutos e constroem narrativas com a comunidade. Há espaço para novas marcas, mas o engajamento precisa ser imediato, pois a comunidade do futebol feminino valoriza empresas que agregam valor à modalidade.
Lei da Copa: Mais que um Torneio
A Lei da Copa do Mundo Feminina de 2027 vai além da organização do evento. Ela estabelece ações para promover a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres no esporte, combater a violência e a discriminação, e fortalecer a participação feminina em todas as esferas do futebol. A legislação também abrange aspectos burocráticos, como vistos simplificados e proteção de direitos autorais, além de prever a possibilidade de feriado nacional nos dias de jogos do Brasil.





