O Santos Futebol Clube protocolou nesta quarta-feira (20) uma ação no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) solicitando a anulação da partida contra o Coritiba, realizada no último domingo (17). O jogo, válido pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro, terminou com a vitória do time paranaense por 3 a 0, em um confronto marcado por uma polêmica substituição envolvendo o atacante Neymar Jr.
O Peixe argumenta que houve um “erro de direito” na retirada equivocada do camisa 10 da partida, que estava em campo na Neo Química Arena. Segundo o clube, a arbitragem impediu a permanência de Neymar Jr., desrespeitando uma determinação da própria comissão técnica e o protocolo oficial de substituições de jogadores. A nota oficial do Santos enfatiza que a discussão não se limita ao desempenho técnico ou ao resultado do jogo, mas sim à defesa da instituição e das regras estabelecidas pela FIFA.
A Confusão em Campo: Neymar Sai, Robinho Jr. Entra por Engano
O incidente ocorreu aos 20 minutos do segundo tempo, com o Santos já em desvantagem de 3 a 0. Neymar havia se dirigido à beira do gramado para receber atendimento médico na panturrilha. Neste momento, a equipe santista preparava uma substituição. Contudo, o quarto árbitro, Bruno Mota Correia (RJ), levantou a placa indicando a saída do camisa 10 e a entrada do número 7, Robinho Jr.
Com Robinho Jr. já em campo e Neymar ainda fora das quatro linhas, o craque foi informado de que havia sido substituído ao tentar retornar ao jogo. Revoltado, Neymar argumentou com o árbitro principal, Paulo Cesar Zanovelli (MG), mas a decisão foi mantida, pois, pela regra, a alteração não poderia ser desfeita. O jogador chegou a mostrar o papel oficial da substituição para a câmera da transmissão, visivelmente contrariado, antes de deixar o campo.
Versões Conflitantes: Documento Oficial vs. Súmula do Árbitro
A comissão técnica do Santos, incluindo o auxiliar-técnico César Sampaio, reclamou veementemente da situação, apresentando à arbitragem o papel oficial de substituição. O documento indicava claramente a entrada do número 7 (Robinho Jr.) no lugar do número 31, o lateral-esquerdo Escobar, e não de Neymar.
No entanto, a súmula da partida, redigida por Zanovelli, apresentou uma versão diferente. O árbitro atribuiu ao auxiliar-técnico César Sampaio a informação inicial de que o camisa 10 deixaria o gramado. A súmula ainda registra que Bruno Correia teria pedido uma nova confirmação antes de erguer a placa e recebido novamente um sinal positivo, tanto verbal quanto gestual, do integrante da comissão técnica santista, enquanto a documentação da troca era preenchida.
A Explicação da Comissão Técnica Santista
Logo após o jogo, César Sampaio concedeu entrevista coletiva e expressou sua visão de que houve “precipitação” por parte da arbitragem. Ele explicou o ocorrido: “O Neymar, segundo a avaliação do doutor, poderia voltar e a gente poderia operar com o papel. O maior documento é o papel, ele estava com o papel na mão.”
Sampaio detalhou o diálogo com o quarto árbitro: “No instante da substituição, o Neymar sai de campo e eu pedi para o quarto árbitro Bruno, até a gente tem uma relação boa de aguardar para ver se a gente poderia ou não trocar essa substituição, que o papel era nítido, né? O 7 pelo 31 e aí eu fui ver com o médico se o Neymar poderia voltar ou não e quando eu volto ele já está levantando a placa de substituição.” Ele reiterou que a equipe médica havia liberado Neymar para continuar em campo, e que o papel oficial deveria ter prevalecido.
A Posição do Santos e a Defesa das Regras da FIFA
A ação do Santos no STJD busca reverter o resultado da partida, baseando-se na premissa de que a falha arbitral constituiu um “erro de direito”. A alegação central do clube é que a arbitragem violou os protocolos oficiais de substituição e as regras estabelecidas pela FIFA, impactando diretamente o andamento do jogo ao remover indevidamente um de seus principais jogadores.
A defesa do Santos foca na integridade das regras do futebol e na proteção dos direitos da instituição, destacando que a questão transcende o mero resultado esportivo, adentrando o campo da legalidade e da correta aplicação das normas do esporte.




