A ex-jogadora Kristyna Janku revelou detalhes chocantes de um caso que abala o futebol feminino da República Checa: seu técnico, Petr Vlachovsky, filmou secretamente atletas no chuveiro por quatro anos e compartilhou as imagens. A descoberta, que expôs uma traição profunda e uma dupla personalidade, gerou revolta e um debate sobre a segurança no esporte, especialmente diante de uma punição considerada branda.
A Descoberta Chocante
Kristyna Janku, que atuou por mais de uma década no Slovacko, da primeira divisão feminina, contou ao jornal checo Seznam Zpravy que ela e suas companheiras só tomaram conhecimento das gravações ao serem convocadas para depor na polícia. O choque foi imenso. “Não vimos a câmera que ele estava usando. Tivemos que ver as gravações para nos identificarmos. Fiquei em choque. Você não acredita que isso está realmente acontecendo”, desabafou a atleta. O horror se aprofundou quando Kristyna soube que o treinador não apenas filmava, mas também compartilhava o conteúdo com outro homem pela internet. “O policial me avisou: ‘Você é a pessoa mais comentada nessas conversas’. Foram coisas realmente repugnantes”, relembrou.
A Traição de uma ‘Família’
A revelação foi ainda mais dolorosa para Kristyna, que via o clube e a equipe como um lar. “Éramos como uma grande família. Durante todo o tempo, era como se ele fosse outra pessoa. Ele tinha uma segunda personalidade”, descreveu, expressando a profunda sensação de traição. A confiança depositada no treinador, que era uma figura central em suas vidas esportivas, foi brutalmente quebrada.
Punição Branda e o Alerta Internacional
Apesar da gravidade dos crimes, Petr Vlachovsky foi condenado por filmar e por posse de material de abuso sexual infantil, mas sua prisão foi suspensa. A pena incluiu uma proibição de exercer funções como treinador na República Checa por apenas cinco anos. Essa decisão gerou indignação e críticas contundentes da Associação Tcheca de Jogadores de Futebol. Marketa Vochoska Haindlova, representante da entidade, defende uma punição permanente e com validade internacional, expressando preocupação de que o técnico possa simplesmente mudar de país e continuar agindo impunemente. “Não deveria ser possível, como nesse caso, que o treinador simplesmente mude de um continente para outro e faça o que bem entender”, afirmou Haindlova.
Luta por Mudança e Proteção
Para Kristyna Janku, a decisão de tornar o caso público não é apenas uma forma de expor o agressor, mas um grito por justiça e mudança. Ela espera que sua coragem possa proteger outras atletas e ampliar a discussão sobre a segurança no ambiente esportivo. “Paradoxalmente, isso está me ajudando, transformando o negativo em positivo, quando vejo que podemos tentar trazer alguma mudança. Não quero que nenhuma outra menina ou mulher no futebol, ou em qualquer outro esporte, seja prejudicada dessa forma”, concluiu a jogadora, reforçando seu compromisso em lutar por um ambiente mais seguro para todas.





