O técnico Carlo Ancelotti confirmou neste sábado a permanência de Neymar na lista de convocados da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026, afastando qualquer possibilidade de corte devido à lesão do atacante. Em coletiva de imprensa, o treinador italiano não apenas garantiu a recuperação do jogador, como também aproveitou para analisar o perfil atual da Canarinha, reconhecendo que a equipe já não dispõe de uma constelação de superestrelas como no passado.
Neymar Mantido Apesar da Lesão
Neymar foi diagnosticado com uma lesão de grau 2 no gêmeo da perna direita, um quadro mais grave que o edema inicialmente previsto, com um tempo estimado de recuperação entre duas a três semanas. Apesar de a estreia contra Marrocos, em 13 de junho, ser incerta, e a participação ser mais provável a partir do segundo jogo, em 19 de junho, contra o Haiti, Ancelotti foi taxativo sobre sua decisão.
“Ele foi convocado porque, para a comissão técnica, tinha de ser convocado. Vai recuperar, está a trabalhar bem e está animado. Se não estiver disponível para o primeiro jogo, estará para o segundo. Não trabalhamos com cortes, não temos dúvidas sobre isso. Não haverá trocas, os jogadores que vão disputar o Mundial são os 26 que foram convocados”, assegurou o comandante.
“Se o meu avô tivesse rodas, seria um carro”
Questionado sobre se manteria a convocatória caso soubesse da gravidade da lesão previamente, Ancelotti recorreu ao bom humor. “Se o meu avô tivesse rodas, seria um carro. O Neymar teve este pequeno problema que não lhe permite trabalhar com o grupo, mas está muito bem a nível individual”, minimizou o técnico.
O Fim da Era das Superestrelas Individuais?
A presença de Neymar, que não é mais um titular indiscutível, tem sido tema de debate. Ancelotti abordou a aparente falta de figuras unânimes no elenco, refletindo sobre a nova fase da Seleção. “Às vezes fala-se muito que o Brasil não tem uma estrela. Pode ser verdade, não temos um Pelé, um Romário ou um Ronaldo, mas podemos dividir a responsabilidade. O jogador mais experiente precisa de assumir mais compromisso e o mais jovem tem de ter menos pressão. Se partilharmos a pressão, ela diminui”, explicou, desvalorizando a ausência de um “brilho” individual do passado e focando na força coletiva.
Foco na Organização Defensiva para o Mundial
Antes da estreia oficial, o Brasil fará dois amistosos: o primeiro neste domingo, contra o Panamá, no Maracanã, e o segundo em 6 de junho, frente ao Egito, em Cleveland (EUA). Ancelotti revelou que o foco principal até lá é a solidez defensiva. “Trabalhamos muito a organização defensiva e vamos continuar a fazê-lo diariamente até ao último jogo do Mundial. Não quero retirar a criatividade aos avançados, eles têm muita qualidade, mas defensivamente os defesas, os laterais e os médios têm todos um papel muito importante”, finalizou o treinador, delineando a estratégia para buscar o hexacampeonato.





