Afonso Eulálio está de regresso ao Giro d’Italia com um claro objetivo: “É um ajuste de contas. É ver se fecho algo que deixei aberto o ano passado”, confirmou o jovem figueirense à agência Lusa, a caminho de Nessebar, na Bulgária, onde a 109.ª edição da Volta a Itália tem início esta sexta-feira.
O Regresso e o “Ajuste de Contas”
A estreia de Afonso Eulálio na ‘corsa rosa’ no ano passado foi marcante, coroando em solitário o mítico Mortirolo, uma das subidas mais icónicas da Volta a Itália. Contudo, a sua participação terminou abruptamente dois dias depois do feito, com uma desistência na 19.ª etapa. “Tínhamos decidido com a equipa já no início do ano fazer esta grande Volta, também um pouco por isso, para voltar e ver se este ano, pelo menos, termino”, explicou o ciclista. A proximidade do fim da prova tornou o abandono ainda mais frustrante, “quase só mais uma etapa dura e depois a etapa de Roma para festejar”.
Preparação Focada e Confiança Renovada
Aos 24 anos, Eulálio, que alinha pela Bahrain Victorious, garante não sentir ansiedade, descrevendo o seu estado como “relaxado demais”. A abordagem para esta edição foi radicalmente diferente. “Este ano acabámos por fazer as coisas totalmente diferentes, acabámos por nos focar bastante no Giro, por fazer uma preparação perfeita: treinar, correr quando tínhamos que correr”, comparou, contrastando com a preparação do ano passado, que descreveu como um “Totoloto” sem altitude. O corredor confia que, com tudo “preparado”, estará “bem, a um bom nível”.
A Caça à Etapa e a Estratégia Aberta
Embora os seus objetivos “ainda não estejam totalmente delineados”, Afonso Eulálio tem uma prioridade clara: “Para mim, vai ser desligar completamente da corrida e ir por uma etapa.” Sem escolher uma etapa específica de antemão, a sua estratégia é flexível, avaliando o desenrolar da corrida, o seu próprio desempenho e as condições das outras equipas para decidir “na manhã antes ou no dia antes”. Reconhece que, por vezes, terá de apoiar o líder da sua equipa, Santiago Buitrago, numa “missão normal dentro da equipa”.
Perspetivas da Corrida e a Força Lusa
Questionado sobre os favoritos à vitória final, Eulálio não tem dúvidas de que Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) será imbatível. Lamentou a ausência de João Almeida e partilhou o seu “pódio perfeito”: Vingegaard, Buitrago e Giulio Pellizzari (Red Bull-BORA-hansgrohe). Embora ainda não tenha estudado o percurso em detalhe, o antigo campeão nacional de fundo sub-23 (2022) destaca o contrarrelógio da 10.ª etapa, de 42 quilómetros planos, como “muito decisivo”. Numa nota mais pessoal, expressou satisfação por não ser o único luso em prova, como na sua estreia. Terá a companhia de António Morgado (UAE Emirates) e do “incrível” Nelson Oliveira (Movistar). “O Morgado é jovem como eu e também um pouco ofensivo, pode ser que seja engraçado estarmos os dois um dia numa fuga. E, depois, ter o experiente Nelson, o capitão… Vai ser bom ter os dois aqui comigo”, concluiu, antevendo uma edição especial do Giro.





