O imbróglio administrativo envolvendo o Botafogo atingiu um novo patamar nesta quinta-feira (23), com o afastamento de John Textor do comando da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) alvinegra. A decisão, proferida pela Câmara de Arbitragem da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é provisória e ainda será revista em 29 de abril, abrindo a possibilidade de retorno do empresário. A SAF informou que tomará “todas as medidas cabíveis para reverter a decisão”.
Durcesio Mello assume interinamente em meio à busca por novos investidores
Apesar de afastado do controle operacional, Textor segue como principal acionista da Eagle Football Holdings, holding do grupo. No entanto, a Eagle Bidco, empresa responsável por deter diretamente as participações nos clubes como Botafogo e Lyon, o afastou em janeiro. A decisão pela retirada de Textor do comando do Botafogo ocorreu após notificação da Eagle Bidco à Câmara de Arbitragem sobre supostas irregularidades na gestão da SAF, como o pedido de recuperação judicial. Para gerir o clube interinamente, a SAF indicou Durcesio Mello, aliado de Textor e ex-presidente na transição para a SAF. Ele terá a missão de conduzir o processo de Recuperação Judicial, que envolve uma dívida de aproximadamente R$ 2,6 bilhões.
Clube associativo e fundos buscam alternativas para o futuro
Com Textor fora do comando imediato, a Eagle Bidco já se movimenta para encontrar um novo investidor para a SAF. O clube associativo, que detém 10% do futebol alvinegro e tem papel fiscalizador, também busca fontes para um novo aporte, liderado pelo presidente João Paulo Magalhães. A Eagle Bidco é controlada pela Cork Gully, consultoria escolhida pelo fundo Ares, credor da Eagle Bidco. Segundo informações, o fundo de investimento GDA Luma é um dos interessados, e a Ares estuda um acordo de 50 milhões de euros com o Botafogo social para assumir o controle até a chegada de um novo investidor.
Dívidas e discordâncias marcam o cenário atual
A SAF do Botafogo possui uma dívida de cerca de R$ 125 milhões com a GDA Luma, referente a um empréstimo feito por John Textor para cobrir despesas e retirar o clube do transfer ban da Fifa. O clube social discordou tanto do empréstimo inicial, devido aos juros, quanto da diluição da empresa. Em nota oficial, o Botafogo associativo afirmou que mantém conversas com potenciais investidores e citou o descumprimento de obrigações por parte de Textor no acordo de acionistas, expressando que o cenário atual está aquém das expectativas.
Assembleia Geral Extraordinária e futuro incerto
Textor havia convocado uma Assembleia Geral Extraordinária para 27 de abril, onde pretendia oferecer um aporte de US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 125 milhões) através de novas emissões da SAF. A decisão da arbitragem, no entanto, adiciona uma camada de incerteza a esses planos. A disputa pelo controle do Botafogo promete novos capítulos nos próximos dias, com a revisão da decisão provisória em 29 de abril sendo um marco crucial.





