O reinado de Gennaro Gattuso como técnico da seleção italiana chegou ao fim nesta sexta-feira (3), conforme anunciado pela federação de futebol do país (FIGC). A demissão ocorre após o fracasso da equipe em se classificar para a Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva, marcando um dos períodos mais sombrios da história recente do futebol italiano.
A eliminação veio na última terça-feira, quando a Itália perdeu a final da repescagem para a Bósnia nos pênaltis, após um empate em 1 a 1 no tempo normal. A derrota dramática selou o destino dos tetracampeões mundiais, que agora ficarão de fora do maior torneio de futebol do planeta.
Em comunicado, Gattuso expressou seu pesar. “Com o coração pesado por não ter conseguido atingir a meta que nos propusemos, considero que meu tempo no comando da seleção nacional chegou ao fim”, disse. Ele também agradeceu à equipe: “Foi uma honra liderar a seleção nacional e fazê-lo com um grupo de rapazes que demonstraram comprometimento e lealdade à camisa.”
A FIGC confirmou a rescisão mútua do contrato. “A Federação Italiana de Futebol e Gennaro Ivan Gattuso rescindiram mutuamente o contrato que ligava o técnico calabreso ao comando da seleção italiana de futebol”, afirmou a entidade, agradecendo a Gattuso e sua equipe pelo “profissionalismo, dedicação e paixão” durante os nove meses de trabalho.
Crise se Aprofunda na Federação Italiana
A saída de Gattuso é apenas um dos reflexos de uma crise mais ampla que assola o futebol italiano. Sua demissão ocorreu um dia após a renúncia do presidente da FIGC, Gabriele Gravina, e a saída de Gianluigi Buffon do cargo de chefe da delegação da equipe nacional, evidenciando uma profunda reestruturação e insatisfação com os resultados.
Breve Passagem e Caminho para a Repescagem
Gattuso, de 48 anos, havia assumido o comando da Azzurra em junho, com um contrato de um ano, substituindo Luciano Spalletti. Sua gestão começou após a derrota da Itália por 3 a 0 para a Noruega, no primeiro jogo da fase de grupos, embora tenha permanecido para a vitória por 2 a 0 sobre a Moldávia. Sob Gattuso, a Itália venceu os cinco jogos seguintes da fase de grupos, mas a superioridade no saldo de gols da Noruega forçou a equipe para a repescagem.
Na repescagem, os italianos pareciam ter recuperado o rumo, vencendo a Irlanda do Norte por 2 a 0 na semifinal. Contudo, na final contra a Bósnia, a equipe de Gattuso, com 10 jogadores, deixou escapar uma vantagem de 1 a 0 e foi derrotada na disputa de pênaltis, repetindo o cenário das duas últimas Copas do Mundo.
O Legado de um Campeão e a Queda de uma Potência
Membro da seleção italiana campeã da Copa do Mundo de 2006, Gattuso testemunha agora o país não conseguir repetir o sucesso no maior torneio do esporte. A Itália venceu apenas um jogo nas duas edições seguintes à sua conquista, sendo eliminada na fase de grupos em ambas as ocasiões. Apesar do triunfo na Euro 2020 ter reacendido a esperança, a ausência contínua na Copa do Mundo sublinha um declínio persistente.
Quem Assume o Comando?
Com a saída de Gattuso, a busca por um novo técnico já começou. Nomes como Massimiliano Allegri, do Milan, e Antonio Conte, do Napoli, são mencionados como possíveis sucessores. Conte, inclusive, já dirigiu a Itália entre 2014 e 2016, levando a equipe à Euro 2016. Os próximos compromissos da seleção incluem um amistoso contra a Grécia em 7 de junho e o início da campanha na Liga das Nações em setembro, quando enfrentará a Bélgica.





