Cristian Ribera Supera Barreiras e Inspira com Conquista Histórica no Esqui Paralímpico
A conquista inédita de Cristian Ribera, que garantiu a medalha de prata no esqui cross-country nos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão e Cortina-2026, ressoa como um marco para o esporte brasileiro. Vindo de Cerejeiras, Rondônia, e criado em Jundiaí, São Paulo, o jovem de 24 anos desafia expectativas e sonha em usar seu feito para dar mais voz e visibilidade ao movimento paralímpico no Brasil.
Um Sonho Que Cruzou o Atlântico
“Soa até estranho, né? Como você fala que um brasileiro vai esquiar e ganha uma medalha de prata na Paralimpíada?”, reflete Ribera sobre sua própria conquista. O caminho percorrido, de Jundiaí às montanhas nevadas da Itália, demonstra uma trajetória singular e repleta de determinação. A medalha não apenas solidifica sua carreira, mas abre portas para que o esporte paralímpico brasileiro ganhe o destaque que merece.
Da Rua à Neve: A Conexão com o Skate e o Atletismo
A paixão de Cristian pelo esporte começou cedo. Após passar por 21 cirurgias para tratar o atrofiamento das pernas devido à artrogripose, o skate surgiu como uma ferramenta de independência e autoestima. “Vai que me ajuda a me mexer dentro de casa?”, pensou o jovem. A ideia se mostrou certeira, impulsionando-o para o mundo dos esportes radicais e desenvolvendo um equilíbrio e uma relação com o medo que seriam cruciais para sua futura carreira no esqui.
Paralelamente, o paratletismo foi outra modalidade que moldou o atleta. Introduzido ao esporte aos seis anos, Cristian descobriu ali seu potencial e o amor pela competição. Essa base atlética foi fundamental quando, aos 12 anos, conheceu o esqui sentado através da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN). A posição e o equilíbrio exigidos no esqui remetiam à sua experiência com o skate, facilitando a adaptação.
Superando Desafios e Quebrando Paradigmas
O treinamento adaptado no Brasil, utilizando rollerski, preparou Cristian para a neve. Sua primeira experiência na Suíça, após cerca de um ano e meio de prática no asfalto, foi um divisor de águas. A transição para a neve exigiu ajustes na técnica, mas sua habilidade, aprimorada no skate, permitiu uma rápida evolução. Aos 15 anos, já disputava sua primeira Paralimpíada de Inverno em Pyeongchang, conquistando um sexto lugar que o motivou a continuar.
Apesar de um desempenho aquém do esperado em Pyeongchang 2022, devido a problemas de saúde, Cristian Ribera se reinventou sob o comando de seu irmão e treinador, Fábio. O período subsequente foi marcado por um sucesso estrondoso, com 17 pódios em 21 provas na elite, culminando na prata paralímpica. A conquista, apesar do apoio de patrocinadores como a TCL, ainda não se traduziu em novos contratos, mas Ribera mantém o foco em seu papel:
“A modalidade já cresceu muito. Isso mostra o crescimento dos atletas, claro, mas da confederação e mostrando esse esporte para mais pessoas. E, claro, a mídia é muito importante. Então, é bem diferente, mas a gente tem de ir quebrando esses paradigmas de pouco em pouco. Melhorou a visibilidade este ano.”
Um Futuro Promissor no Verão e Inverno
Com a próxima Paralimpíada de Inverno em 2030, Cristian Ribera já traça novos objetivos. Ele planeja conciliar a temporada de esqui com a prática do paratletismo, visando uma vaga nos Jogos Paralímpicos de Verão de Los Angeles-2028. “Foi no atletismo que eu descobri que eu seguiria a carreira de atleta, descobri esse amor. Foi nele que descobri que eu era bom e poderia virar atleta realmente”, afirma, ressaltando o sonho de representar o Brasil também nas competições de verão.
A jornada de Cristian Ribera é um testemunho de resiliência, talento e a força dos sonhos. Sua mensagem é clara: “Espero que as pessoas vejam que é possível esquiar no Brasil e fazer o sonho virar realidade. Espero que muitas crianças comecem a praticar e sonhem alto, grande. É possível”.





