Consulta Popular Define Rumo de Candidaturas Olímpicas na Alemanha
A Alemanha busca reviver o espírito olímpico em seu território, com planos de sediar os Jogos em 2036, 2040 ou 2044. No entanto, o caminho para a realização deste sonho passa, obrigatoriamente, pela consulta direta aos cidadãos das cidades interessadas. Após Munique ter realizado seu referendo em novembro passado, a região do Reno/Ruhr, que engloba cidades como Colônia e Düsseldorf, submete seu projeto ao escrutínio público neste domingo. Quatro milhões de eleitores são convocados a se manifestar por meio de voto por correio.
Processo de Seleção do Comitê Olímpico Alemão
O Comitê Olímpico Alemão (DOSB) estabeleceu um cronograma ambicioso, que culminará em 29 de setembro com a escolha da cidade que apresentará a candidatura oficial do país ao Comitê Olímpico Internacional (COI). Para aumentar as chances de sucesso, o DOSB optou por se candidatar a três edições consecutivas dos Jogos (2036, 2040 ou 2044), visando trazer o evento de volta à Alemanha pela primeira vez desde 1972, em Munique. A edição de 1972 ficou marcada pelo trágico atentado na vila olímpica.
Desafios Históricos e Preferências de Datas
A escolha da data para a candidatura não é isenta de polêmicas. Para 2036, a Ásia desponta como favorita com diversas candidaturas. Além disso, a coincidência com os Jogos de Berlim em 1936, que foram utilizados para fins propagandísticos pela Alemanha nazista, gera controvérsia. O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, considera esta data “historicamente problemática” e inclina-se por uma candidatura para 2040 ou 2044. Atualmente, quatro candidaturas estão oficialmente em disputa: Munique, a região Reno/Ruhr, Hamburgo e Berlim. Os três primeiros decidiram consultar suas populações antes de formalizar a candidatura.
A Importância do Apoio Popular e as Reformas do COI
A consulta popular representa uma aposta estratégica, mas não garantia de sucesso. Hamburgo e Munique já enfrentaram rejeições em referendos anteriores para sediar os Jogos. Especialistas em olimpismo, como Jean-Loup Chappelet, da Universidade de Lausanne, reconhecem a importância do referendo, mas alertam para a possibilidade de resultados negativos. O COI, ciente das dificuldades em encontrar cidades candidatas, tem reformulado seus processos, priorizando a reutilização de infraestruturas existentes e buscando cidades “mais preparadas”. Os Jogos de Paris 2024 são vistos como um exemplo de organização com menor déficit, demonstrando a viabilidade de sediar o evento de forma mais sustentável. O resultado da consulta na região do Reno/Ruhr será analisado de perto para medir o entusiasmo popular em relação a um projeto olímpico na Alemanha, antes do referendo em Hamburgo no final de maio. O apoio da população, embora não seja um requisito formal do COI, é considerado uma vantagem significativa no cenário atual.





