MP busca evidências de uso indevido de cartões e recursos do clube
O promotor Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo, esteve presente no Parque São Jorge, sede do Corinthians, nesta quinta-feira (12), para recolher documentos relacionados a uma investigação sobre gastos considerados indevidos de Andrés Sanchez e Duílio Monteiro Alves, ex-presidentes do clube. Ambos são réus por apropriação indébita, após o surgimento de indícios de uso inapropriado de cartões corporativos e recursos do Corinthians.
A defesa de Andrés Sanchez, representada pelo advogado Fernando José da Costa, alega a inocência do dirigente, classificando as medidas como “desproporcionais”. Já Duílio Monteiro Alves, por meio de seu advogado Lucas Lopes Knupp, expressou “confiança no Poder Judiciário e no devido processo legal”, acreditando que os fatos serão esclarecidos.
Transparência e colaboração do clube
Durante a visita, Conserino esteve acompanhado do presidente do Corinthians, Osmar Stábile, e do diretor jurídico, Pedro Luis Soares. “Nós entregamos tudo que está disponível, deixamos à disposição do Ministério Público”, afirmou Soares à imprensa. Ele detalhou que houve uma visita ao local de guarda da documentação e uma explanação sobre o funcionamento dos mecanismos de controle financeiro do clube.
O promotor Conserino confirmou a colaboração do clube na entrega dos documentos. Adicionalmente, um ofício foi enviado ao diretor de tecnologia, Marcelo Munhós, solicitando registros digitais do período de 2018 a 2025. O objetivo é analisar a aprovação das contas de Andrés Sanchez, Duílio Monteiro Alves e também de Augusto Melo, outro ex-presidente sob investigação.
Pedidos de perícia digital e tensão interna no clube
Conserino explicou que a solicitação de um backup abrange todas as transações que levaram à aprovação das contas dos últimos três presidentes. “Solicitamos por escrito essa perícia que será disponibilizada ao MP tão logo seja feita. Na ata, pedimos essa prova tecnológica para verificar a integridade da documentação entregue”, declarou o promotor.
A semana tem sido de turbulência para o Corinthians. Paralelamente, o presidente Osmar Stábile protocolou um requerimento na Comissão de Ética pedindo o afastamento de Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo. Stábile alega interferência na gestão e relata ter sido coagido por Tuma em um jantar recente, o que teria ocorrido durante uma audiência pública para discutir a reforma do estatuto do clube. A situação gerou discussões acaloradas entre conselheiros.





