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Martine Grael avalia retorno olímpico após dedicação ao SailGP: ‘Não iria só para participar’

Martine Grael Avalia Retorno Olímpico Após Dedicação Ao Sailgp: ‘não Iria Só Para Participar’

Desgaste e novas prioridades

A possibilidade de uma nova participação olímpica para Martine Grael, bicampeã olímpica na vela, paira no ar, mas com ressalvas. Após ciclos intensos que culminaram em ouro no Rio-2016 e Tóquio-2020, a velejadora de 35 anos expressou ao jornal O Estado de S. Paulo um certo desgaste com a rotina olímpica. A experiência em Paris-2024, que não resultou em pódio, intensificou essa reflexão. Atualmente, Martine tem se dedicado ao SailGP, um circuito de alta velocidade que simula a “Fórmula 1 dos mares”, enquanto pondera seus próximos passos na carreira.

“A gente talvez faça a classificatória olímpica, não sei”, admitiu Martine sobre a dupla com Kahena Kunze na classe 49er FX. “Mas eu não tenho vontade de ir só para participar, eu não sei. Depois de você ir para uma Olimpíada, ganhar uma medalha, você voltar só para participar… Tem que pensar muito.” A dupla retornou às competições após um ano de pausa, disputando o Mundial e terminando em nono lugar. Para Martine, o resultado não foi o foco principal, mas sim a avaliação do nível da competição e a constatação de que o cenário da vela se tornou ainda mais exigente.

O SailGP: Inovação e inclusão

O SailGP, iniciado em 2019, revolucionou a vela com seus catamarãs F50, capazes de ultrapassar os 100 km/h e “voar” sobre a água graças à tecnologia de hidrofoil. Martine Grael integra o Time Mubadala Brasil no circuito, exercendo a função de capitã e timoneira – uma posição pioneira para uma mulher na competição. Ela destaca que o SailGP, por ser menos dependente da força física bruta e mais focado em tecnologia, tem aberto portas para a participação feminina em posições de liderança, algo que ela considera uma quebra de barreiras significativa em um esporte historicamente dominado por homens.

“Eu sempre questionei a maneira como as meninas entraram no Sail GP. Até então não havia nenhuma menina fazendo nenhuma dessas três posições, que era no leme, na Vela Grande e nos foils. Foi realmente uma quebra de barreira entrar no leme de um dos barcos”, celebrou Martine. Ela descreve o barco como uma “nave espacial”, onde o manuseio de cabos dá lugar a botões e sistemas hidráulicos e elétricos, tornando a modalidade mais acessível a um público mais amplo e demonstrando uma evolução que, apesar de gerar certo estranhamento no tradicionalismo do esporte, é vista com bons olhos por nomes como seu pai, Torben Grael.

Transição geracional e a busca por renovação

Martine se vê como parte de uma “geração de transição” na vela, atuando em um momento de profundas mudanças competitivas e sociais. Ela critica a exclusividade e o elitismo que ainda persistem em alguns nichos do esporte, contrastando com a visão mais inclusiva que busca promover. A velejadora também aponta para a dificuldade do Brasil em promover a renovação de talentos na vela, um esporte que historicamente trouxe muitas medalhas para o país. A quebra da sequência de pódios olímpicos em Paris-2024 é um reflexo dessa preocupação.

“Eu fico sempre na esperança de ter alguém da nova geração querendo seguir nossos passos, apesar de nunca chegar ninguém. Não é possível. Não tem ninguém seguindo nossos passos”, lamenta Martine. Ela contrasta a situação brasileira com outros países, onde o sucesso de um atleta inspira uma nova leva de competidores. A crescente dificuldade em atingir o alto nível no esporte olímpico, devido ao aumento da competitividade a cada ciclo, tem levado muitos jovens a questionar o investimento em carreiras esportivas. Apesar dos desafios, Martine liderará o Time Mubadala Brasil em mais uma etapa do Sail GP no Rio de Janeiro nos dias 11 e 12 de abril, marcando a primeira vez que o circuito visita a América do Sul.

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