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Exclusivo: Pablo Zabaleta detalha jornada histórica da Albânia rumo à Copa do Mundo de 2026 e analisa futuro de Messi na Argentina

Exclusivo: Pablo Zabaleta Detalha Jornada Histórica Da Albânia Rumo à Copa Do Mundo De 2026 E Analisa Futuro De Messi Na Argentina

Quando Pablo Zabaleta recebeu um telefonema de seu antigo colega Sylvinho durante a Copa do Mundo de 2022, no Catar, dificilmente imaginaria onde essa conversa o levaria. Dois anos e meio depois, o ex-defensor argentino, com passagens marcantes pelo Manchester City, está no centro de uma das histórias mais surpreendentes do futebol: a tentativa de conduzir a Albânia à sua primeira qualificação para um Campeonato do Mundo.

A Albânia, um país sem grande tradição em Mundiais, vive um momento de euforia. “Vê-se como as pessoas estão felizes por verem a equipe chegar ao play-off pela primeira vez e como lhes parece real a oportunidade de se qualificarem para o Campeonato do Mundo”, relata Zabaleta. “Depois de três anos a trabalhar na Albânia, sinto-me verdadeiramente parte da comunidade. Quando saímos para passear ou correr no parque, as pessoas param o Sylvinho e dizem-lhe o quanto significaria ver a Albânia num Campeonato do Mundo. Para um país que nunca teve esta oportunidade antes, ver o entusiasmo dos adeptos, dos meios de comunicação social, é algo verdadeiramente especial. Espero que consigamos passar pelos próximos dois jogos, porque seria uma experiência incrível.”

A surpresa de Tirana e a força dos jogadores

Zabaleta admite que não sabia muito sobre a Albânia antes de chegar. “Como jogador, estive na Croácia e na Roménia para jogos da Liga Europa, mas nunca na Albânia. Nunca esquecerei o primeiro telefonema do Sylvinho. Estava no Catar para o Campeonato do Mundo de 2022, a fazer a cobertura dos jogos da Argentina, quando ele me disse que estava em conversações com a Federação Albanesa de Futebol para ser o seu treinador principal.”

O convite para ser treinador adjunto veio após uma análise minuciosa de Zabaleta sobre 50 nomes de jogadores albaneses. “Quando ele acabou por assinar e me ofereceu o cargo de treinador adjunto, não hesitei. Conhecemo-nos há muitos anos e sempre tivemos uma ótima relação.” O que mais o impressionou foi a qualidade dos atletas. “Quase todos eles jogam em ligas de topo, muitos em Itália, devido à grande comunidade albanesa, mas também em Espanha, Alemanha e Inglaterra. Sentimos que havia uma oportunidade real e o nosso primeiro objetivo era a qualificação para o Campeonato da Europa na Alemanha.”

A Albânia surpreendeu ao terminar em primeiro lugar num grupo que incluía República Checa, Polônia, Islândia e Moldávia, garantindo a vaga na Euro. “O próprio Euro foi um sorteio difícil. Croácia, Espanha e Itália… Mas ficámos orgulhosos com o desempenho dos jogadores.” Além do campo, o país também encantou o argentino: “E depois cheguei a Tirana pela primeira vez e pensei: ‘Uau, esta é uma cidade maravilhosa, em desenvolvimento’. Também passámos alguns dias no sul da Albânia e vimos belas praias, belas paisagens.”

O desafio Polônia e a paixão albanesa

A paixão pelo futebol é outro ponto que Zabaleta destaca. “A Albânia tem uma população de quase três milhões de pessoas dentro do país, mas cerca de dez milhões de albaneses vivem no estrangeiro, incluindo uma comunidade muito grande nos Estados Unidos, particularmente em Connecticut e Nova Iorque. Quando se combina essa diáspora com a paixão que se vê em toda a região dos Balcãs pelo futebol, cria-se algo extraordinário. Quando ganhámos fora de casa contra a Sérvia, via-se gente a festejar por todo o lado. Tem sido uma experiência verdadeiramente maravilhosa, e espero que possamos levá-la até ao Campeonato do Mundo.”

O próximo desafio é a Polônia nos play-offs, um adversário que Zabaleta respeita. “Sabemos que vai ser um jogo muito difícil. Jogar em Varsóvia é sempre difícil, e a Polônia tem muita qualidade individual, com jogadores que atuam nos melhores clubes da Europa. Com o seu novo treinador, a Polônia mostrou que pode competir com os melhores, tendo jogado bem contra os Países Baixos nos dois jogos.”

A experiência polaca em play-offs é uma preocupação, mas a motivação albanesa é um trunfo. “O Sylvinho e eu viajámos para os ver em ação nos seus clubes e, quando nos sentamos com eles para tomar um café e olhamos para os seus rostos, vemos que isto significa tudo para eles. Eles sabem que este é um momento histórico para o seu país. Essa motivação, combinada com a qualidade que temos, dá-me confiança. É um bom sinal quando se vê esse tipo de fome nos olhos de um jogador.”

Zabaleta aponta nomes como Kaminski, Matty Cash, Zalewski e, claro, Robert Lewandowski e Zielinski como os principais perigos da Polônia. “Ele é excecional a segurar a bola, a colocar os outros em jogo. E com o Zielinski a jogar atrás dele, a meter as bolas para os corredores, eles podem fazer-nos sofrer muito rapidamente em transição. Defensivamente, temos de estar muito bem organizados e limitar o espaço que lhes damos. Mas competimos contra a Sérvia, contra a Inglaterra… Perdemos os dois jogos com a Inglaterra, mas jogámos bom futebol e mostrámos que podemos ser disciplinados e sólidos do ponto de vista tático. Acredito que temos uma oportunidade real.”

De Messi à Copa 2026: Zabaleta projeta o futuro

Olhando para o Mundial de 2026, Zabaleta espera um grande torneio nos Estados Unidos, Canadá e México. “Os Estados Unidos são sempre um anfitrião maravilhoso para um torneio desta dimensão. Eu era jovem na altura, mas penso que a maioria das pessoas tem boas recordações do Campeonato do Mundo de 1994 e, como jogador, sempre gostei de lá ir. Grandes estádios, grandes instalações.” No entanto, ele expressa uma preocupação: “As distâncias a percorrer num país tão grande, especialmente com o Canadá e o México a receberem também jogos, são uma preocupação potencial. Os jogadores geralmente não gostam de se deslocar muito durante os torneios. Mas o que me preocupa um pouco, e digo isto depois de ter assistido ao Campeonato do Mundo de Clubes, é o clima. As tempestades podem ser muito fortes. Ver as equipas e os adeptos à espera dentro de casa enquanto o jogo é suspenso durante 40 minutos não é o ideal para um Campeonato do Mundo.” Apesar disso, a demanda por ingressos é um bom sinal. “O Campeonato do Mundo é único. Não há nada igual. E acho que todos nós vamos gostar.”

Sobre a possibilidade de a Argentina defender o título, Zabaleta é otimista. “Acredito que sim. Ao lado de Espanha, Inglaterra, França e Brasil, a Argentina é uma das seleções que considero verdadeiras candidatas. Messi estará alguns anos mais velho, mas ainda é capaz de momentos de pura magia. Os adversários continuam a ter medo dele perto da grande área: os seus dribles, a sua visão de jogo, a sua capacidade de cortar para o interior e chegar ao poste mais distante, os seus livres. Só um jogador da sua qualidade pode criar esses momentos. Portugal é também uma equipa que eu consideraria. E a Inglaterra, agora com Tuchel no comando, está a jogar bem e tem um grande talento individual.”

A emoção de ver Messi conquistar o Mundial em 2022 é algo que Zabaleta ainda carrega. “Quando estive no Catar e vi o Messi conquistar o Mundial, depois de tudo o que passou, das críticas que sofreu, de ter deixado a seleção e de ter regressado, foi um dos momentos mais emocionantes que já vivi no futebol. E não fui o único. Pessoas que nem sequer eram argentinas queriam que a Argentina ganhasse, pelo que Messi significa para o jogo.”

Refletindo sobre Messi como colega de equipe, Zabaleta o descreve como um líder tranquilo, mas de imenso impacto. “Ele é tranquilo, na verdade. Não é alguém que fala constantemente, mas quando Messi fala no balneário, todos ouvem. É um tipo de liderança raro, que vem do que ele faz em campo, do facto de nunca se esconder, de nunca recusar responsabilidades. Ele pega na bola e diz, de facto, ‘eu é que decido isto’.” Zabaleta recorda o primeiro encontro com Messi na seleção sub-20, onde o talento do jovem já era inegável. “Ganhámos o Campeonato do Mundo de Sub-20 nos Países Baixos, em 2005, e o Messi foi o melhor jogador do torneio – melhor marcador, Bota de Ouro. Acho que foi nesse momento que o Barcelona percebeu que ele estava pronto para a equipa principal, e o resto, como se costuma dizer, é história. Vinte anos depois, ele ganhou absolutamente tudo, mas manteve-se humilde, gentil com todos, uma grande pessoa fora do campo e dentro dele.”

Sobre um possível retorno de Messi ao Barcelona, Zabaleta diz: “Tem-se falado muito sobre isso, especialmente com as eleições presidenciais no clube. Sinceramente, quando eu jogava – seja pelo Espanhol, seja pelo Manchester City na Liga dos Campeões contra o Barcelona – nunca poderia imaginar que Messi deixaria o clube. Partia do princípio de que seria para sempre. O que quer que tenha acontecido a nível financeiro ou nos bastidores, só posso especular, porque não estava lá dentro.” Ele entende a escolha por Miami, mas não descarta um “última dança” no Camp Nou. “Todos os clubes do mundo o querem. O meu filho mal conhecia o Inter Miami antes da chegada do Messi; agora quer uma camisola do Messi. É esse o poder do homem. Quanto a um regresso ao Barcelona, porque não? Uma última dança? Eu adoraria ver isso.”

Para finalizar, Zabaleta expressa o significado de vestir a camisa da Argentina. “É um sonho que se tornou realidade. Jogar pelo clube é maravilhoso: os jogos todos os fins de semana, as competições, a ambição… Mas representar o seu país é algo diferente. Digo sempre que é o futebol puro no seu sentido mais verdadeiro. É o nosso povo, a nossa bandeira, o nosso hino. Quando volto a casa e vejo os amigos que conheço desde a juventude, continuo a sentir as mesmas emoções que senti quando dei o primeiro pontapé numa bola. Essa ligação é o que separa o facto de se jogar pelo nosso país de tudo o resto no futebol.” Mesmo a derrota na final da Copa de 2014 no Maracanã, ainda dolorosa, é vista como uma das melhores experiências de sua vida. “A conquista da medalha de ouro olímpica em Pequim em 2008, o Mundial sub-20… Tantos momentos a representar a Argentina que levarei comigo para sempre. É impossível descrever tudo com palavras. É pura emoção, e sinto-me extraordinariamente sortudo.”

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