O goleiro Ederson, em entrevista exclusiva ao Flashscore, abordou os desafios e as expectativas da Seleção Brasileira às vésperas do Mundial de 2026. Direto da Flórida, onde o Brasil se prepara para amistosos, o ex-jogador do Benfica expressou confiança na conquista do hexacampeonato e analisou o estágio atual da equipe sob o comando de Carlo Ancelotti.
“Os primeiros a acreditarem têm de ser os jogadores; se o jogador não acreditar, pode esquecer”, afirmou o guardião, ressaltando a importância da mentalidade vencedora. Ederson também comentou sobre sua experiência no futebol turco, a comparação entre Ancelotti e Pep Guardiola, e os valiosos conselhos que recebeu de Júlio César no início de sua carreira em Portugal.
O Caminho para o Hexa: Confiança e Desafios
Com a tranquilidade de quem se prepara para seu terceiro ciclo de Mundial, Ederson destacou a qualidade e o potencial do elenco brasileiro. “Temos qualidade, temos potencial. É claro que falta um pouco de trabalho ainda para envolver todas as ideias que o treinador quer, para começarmos a jogar bem, a demonstrar um bom futebol”, pontuou. O goleiro reconheceu que o processo de Ancelotti começou tarde, mas se mostrou otimista quanto à assimilação das ideias durante a competição.
A experiência acumulada ao longo dos anos trouxe a Ederson uma nova perspectiva sobre a ansiedade pré-Mundial e a necessidade de cuidado com lesões. Ele enfatizou a importância de jogadores experientes no grupo, citando o retorno de Casemiro e a presença de líderes para guiar os mais jovens. “Juntando a experiência com a juventude, pode dar um bom resultado”, disse. Ederson também elogiou o talento de Igor Thiago e Rayan, destacando a rápida adaptação de ambos à intensidade da Premier League e projetando um futuro brilhante para a Seleção.
Ancelotti vs. Guardiola: Estilos e Adaptação
Tendo trabalhado com dois dos maiores treinadores do futebol mundial, Pep Guardiola e Carlo Ancelotti, Ederson traçou um paralelo entre suas metodologias. “Têm personalidades diferentes. O Ancelotti é mais tranquilo, o Guardiola é alguém mais intenso, mas não deixam de ser dois grandes treinadores e eu fui um privilegiado por poder trabalhar com eles”, explicou.
O goleiro revelou que Ancelotti é mais propenso a conversas individuais com os jogadores, algo que ele considera fundamental para a gestão do elenco. Sobre a adaptação de seu estilo de jogo, especialmente com os pés, Ederson afirmou que implementará as técnicas aprendidas no Manchester City conforme as necessidades de Ancelotti, reconhecendo que “depende muito das circunstâncias, da forma que o Ancelotti quer que nós joguemos.”
A Paixão do Futebol Turco e o Talento Jovem
Ao falar sobre sua atual fase no Fenerbahçe, Ederson descreveu o futebol turco como uma “loucura”, comparando a paixão dos torcedores aos de clubes brasileiros como Corinthians e Vasco. “O pessoal lá é fanático, joga ao lado da equipa, sofre com a equipa. É muito diferente do que eu estava habituado em Inglaterra. O pessoal vive mais o jogo jogado”, comentou. Ele também notou a semelhança com o Brasil na dificuldade de conciliar paixão e razão no discurso dos torcedores.
Ainda sobre a Premier League, Ederson não hesitou em apostar no “Cityzão” para o título, elogiando a reta final da equipe de Manchester. Ele acredita que o período de preparação mais longo antes do Mundial será crucial para a Seleção absorver as ideias de Ancelotti, diferente dos curtos períodos de treinos nos amistosos.
O Legado de Júlio César e a Referência de Rogério Ceni
Um dos momentos mais tocantes da entrevista foi quando Ederson relembrou a importância de Júlio César em sua formação, desde os tempos de Benfica. “O Júlio é alguém que me ensinou muito. Não só sobre futebol, mas também fora dele”, disse. O goleiro destacou os conselhos financeiros de Júlio César, que o orientou a investir o dinheiro e a ter “cabeça” para gerir a carreira.
“Foi fundamental no meu percurso, não só dentro de campo, mas também fora. É uma pessoa espetacular e ajudou-me muito”, concluiu Ederson sobre seu mentor. Além de Júlio César, Ederson citou Rogério Ceni como seu ídolo, admirando a história construída no São Paulo e a dedicação ao longo dos anos, mesmo sem ter convivido com ele em campo.





