A Copa do Mundo da Fifa de 2026 representa um marco histórico ao ser co-organizada por Estados Unidos, Canadá e México. Com milhões de torcedores esperados entre junho e julho, a logística migratória para cidadãos brasileiros exige um planejamento minucioso e antecipado. Transitar entre as nações-sede não é uma tarefa simples, demandando compreensão das rigorosas políticas de segurança e imigração de Washington, Ottawa e da Cidade do México, especialmente no que tange à obtenção de vistos.
O Visto Americano: Da Crise à Prioridade FIFA
O processo de obtenção do visto americano para brasileiros enfrentou um período turbulento. No final de 2022, o tempo de espera para vistos de turismo (B1/B2) em São Paulo chegou a alarmantes 491 dias, um reflexo do acúmulo de demandas e paralisações. Diante da ameaça ao fluxo turístico, o Departamento de Estado americano implementou uma força-tarefa, expandindo o quadro consular e modernizando sistemas digitais.
Esses esforços resultaram em uma melhora significativa, com a fila média nacional reduzindo para 45 a 60 dias em postos como São Paulo e Brasília no início de 2026. A taxa de solicitação (MRV) permanece em US$ 185, após a suspensão de uma tarifa adicional de US$ 250. Para a Copa, uma iniciativa crucial é o sistema “Fifa Pass”, anunciado pela administração dos EUA. Ele cria um corredor preferencial para torcedores com ingressos nominais da Fifa, garantindo acesso prioritário ao agendamento de entrevistas e agilizando o parecer consular. O Departamento de Estado reforçou sua equipe com 400 novos oficiais em países de alta demanda, incluindo o Brasil, visando absorver os milhões de visitantes esperados.
Visto Canadense: eTA ou TRV?
Diferentemente dos Estados Unidos, que exige entrevista presencial, o Canadá adota uma política migratória baseada na análise de risco e histórico do viajante. Brasileiros têm duas opções para entrar no país: o Visto de Visitante tradicional (TRV) ou a Autorização Eletrônica de Viagem (eTA).
A eTA é a via mais rápida e econômica, custando 7 dólares canadenses e sendo processada em minutos ou dias. Contudo, sua elegibilidade é restrita: o viajante deve possuir um visto americano de não imigrante válido ou ter obtido um visto canadense nos últimos dez anos, e, crucialmente, chegar ao Canadá exclusivamente por via aérea. Aqueles que não se enquadram nesses critérios devem solicitar o TRV convencional, cujo tempo médio de análise em 2026 é de aproximadamente 42 dias úteis.
O Desafio das Fronteiras Terrestres e o Acesso ao México
A mobilidade entre os países-sede apresenta um dos maiores desafios logísticos, especialmente para o trânsito terrestre. Apesar do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) facilitar o livre comércio, ele não unifica as diretrizes de mobilidade civil. Não há um “Espaço Schengen” norte-americano; cada fronteira possui suas próprias regras rigorosas.
Para brasileiros, a Autorização Eletrônica de Viagem (eTA) canadense perde sua validade legal em fronteiras terrestres ou marítimas. Ou seja, se um torcedor alugar um carro nos EUA e planeja dirigir até o Canadá, será obrigatória a apresentação do Visto de Visitante canadense (TRV) impresso no passaporte. No flanco sul, o México simplificou o processo: viajantes com visto americano ou canadense válido estão dispensados de solicitar um visto mexicano, garantindo entrada imediata ao país. Essa dinâmica reitera a importância do visto americano como um facilitador chave para todo o planejamento da viagem.
A complexidade de transitar entre as três nações anfitriãs da Copa de 2026 exige dos torcedores brasileiros uma preparação meticulosa. A quitação imediata das taxas (MRV para EUA e eTA/TRV para Canadá) e o preenchimento impecável dos formulários de triagem internacional são passos fundamentais. As decisões dos escritórios de imigração em Washington e Ottawa continuarão a moldar o fluxo da maior mobilização civil do continente neste ano, fazendo com que o sucesso da travessia esteja diretamente ligado à compreensão técnica e ao cumprimento rigoroso dos tratados de fronteira.