Clubes Brasileiros Defendem Gramados Sintéticos Contra Críticas de Filipe Luís e Flamengo: ‘Narrativas que Distorcem a Realidade’
A polêmica em torno dos gramados sintéticos no futebol brasileiro ganha novos capítulos, com clubes defensores da tecnologia respondendo às críticas de jogadores e dirigentes, enquanto a CBF se prepara para intervir.
A discussão sobre a utilização de gramados sintéticos no futebol brasileiro esquentou na última semana, motivando uma resposta conjunta de clubes que adotam a tecnologia. Palmeiras, Athletico Paranaense, Atlético-MG, Botafogo e Chapecoense emitiram uma nota oficial nesta quinta-feira (11) defendendo o uso dos pisos artificiais, classificando as críticas como “narrativas que distorcem a realidade”.
A Resposta Conjunta em Defesa da Tecnologia
No comunicado, os clubes reafirmam sua posição em defesa da grama artificial, destacando que a tecnologia é “adotada de forma responsável, regulamentada e alinhada às melhores práticas internacionais”. Eles argumentam que a ausência de padronização nos gramados naturais do Brasil é um fator crucial, e que direcionar críticas apenas aos sintéticos é simplista e tecnicamente equivocado.
A nota também enfatiza que um gramado sintético de alta performance frequentemente supera campos naturais em más condições, que são comuns em muitos estádios do país. Além disso, os clubes contestam a existência de estudos científicos conclusivos que comprovem um aumento de lesões provocado pelos gramados sintéticos modernos.
Filipe Luís e Flamengo Lideram a Crítica
As críticas aos gramados sintéticos ganharam força com declarações de figuras proeminentes do futebol. O técnico Filipe Luís, em coletiva no Catar, expressou sua preocupação com a desvalorização do produto e a saúde dos atletas. “Que campeonato da Europa tem seis clubes que vão jogar no campo sintético? Isso desvaloriza o produto, faz com que menos espectadores ao redor do mundo queiram assistir. Para a saúde dos atletas, o ideal é que eles joguem em gramados naturais de boa qualidade”, afirmou o treinador.
O Flamengo, por sua vez, tem sido o clube mais enfático na cruzada contra os pisos artificiais, defendendo publicamente o fim de seu uso em competições oficiais. O presidente Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, argumenta que a grama sintética provoca desequilíbrio financeiro e “prejudica a saúde física de jogadores e atletas”. O clube chegou a propor à CBF a inclusão da proibição de campos artificiais no projeto de fair play financeiro, mas a ideia foi rejeitada.
Movimento de Jogadores e Ação da CBF
A insatisfação com os gramados sintéticos não é recente. Neste ano, estrelas como Neymar, Thiago Silva e Lucas Moura lideraram um movimento de jogadores que resultou em uma campanha nas redes sociais pedindo o fim das partidas em pisos artificiais.
Diante da crescente polêmica, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) sinaliza que o tema terá atenção especial. A entidade planeja montar uma equipe dedicada a discutir a qualidade dos gramados dos estádios, incluindo os sintéticos. Uma das ideias em avaliação é definir um novo parâmetro geral para os campos e estabelecer um período de adaptação, com incentivos para que os clubes se adequem.
O Cenário para 2026
Apesar das críticas, a presença de gramados sintéticos no Campeonato Brasileiro pode ser ampliada em 2026. Além de Palmeiras (Allianz Parque), Botafogo (Nilton Santos) e Atlético-MG (Arena MRV), Athletico Paranaense (Ligga Arena) e Chapecoense (Arena Condá) retornaram à elite e também contam com piso artificial. O Vasco, com reforma prevista em São Januário, também mandará seus jogos na casa botafoguense, indicando que a discussão sobre o tema está longe de um consenso e promete continuar acalorada nos próximos anos.