A última barreira da igualdade nos Jogos de Inverno
Enquanto os Jogos Olímpicos de Inverno celebram a união e a competição, o combinado nórdico permanece como um anacronismo: o único esporte que ainda não abriu suas portas para a participação feminina. Essa exclusão gera indignação entre as atletas, que lutam incansavelmente por um lugar ao sol olímpico, denunciando o que consideram uma discriminação persistente em um cenário que busca a paridade de gênero.
A voz das atletas ecoa: “A igualdade não pode esperar”
A frustração foi evidenciada pela atleta americana Annika Malacinski, que utilizou as redes sociais para chamar a atenção para a situação. Em um vídeo simbólico, ela se dirigia ao aeroporto rumo aos Jogos, mas com a ressalva de que seu esporte, uma combinação de esqui cross-country e saltos de esqui, ainda não permitia sua participação olímpica. Malacinski, de 24 anos, é uma das muitas vozes que clamam por mudança, abraçando o lema “A igualdade não tem que esperar quatro anos”. A modalidade, presente nos Jogos desde Chamonix-1924, contrasta com a exigência atual do Comitê Olímpico Internacional (COI) de que esportes sejam mistos para serem incluídos no programa olímpico. A existência de uma Copa do Mundo feminina e de provas no Mundial desde 2021 apenas intensifica o questionamento sobre a permanência dessa barreira olímpica.
As justificativas do COI e as preocupações do esporte
O COI, em contato com a AFP, apresentou duas razões principais para a ausência do combinado nórdico feminino nos Jogos. A primeira é a baixa competitividade na categoria masculina, com apenas quatro países conquistando medalhas nas últimas três edições. A segunda, e talvez mais impactante, é o baixo interesse do público, com as audiências masculinas registradas como as mais baixas nos Jogos recentes. O futuro da modalidade, incluindo a participação feminina, será avaliado após os Jogos de 2026, com uma decisão sobre a inclusão em 2030 prevista para os Jogos nos Alpes franceses. No entanto, a incerteza paira sobre o esporte, com a presidente da Federação Finlandesa de Esqui, Sirpa Korkatti, questionando: “Sem mulheres, o que será deste esporte?”.
O receio do desaparecimento e o apelo por apoio
O campeão olímpico francês Fabrice Guy expressou a preocupação de que o combinado nórdico esteja sendo deixado de lado em favor de novas modalidades, como o ciclocross. Ele lamenta que a discussão sobre a inclusão feminina seja inexistente, mesmo sendo uma das disciplinas mais antigas. “Se não há mulheres, então não sonhemos, é porque o combinado vai desaparecer”, alertou. A atleta francesa Lena Brocard compartilha da dor de assistir aos Jogos pela televisão, sabendo que sua participação seria possível se não fosse mulher. Ela apela aos telespectadores para que acompanhem o esporte e ajudem a pressionar o COI, enquanto seu irmão, Niklas Malacinski, lamenta que sua irmã não possa compartilhar a experiência olímpica com ele na Itália, destacando a injustiça dessa exclusão.





