A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) vive um momento de tensão após a recusa, em Assembleia Geral realizada no Porto, da proposta de distribuição de verbas que beneficiaria os clubes do segundo escalão. Seis das 18 sociedades desportivas da Liga Portugal opuseram-se à medida, que necessitava de uma maioria qualificada de 75% dos clubes do primeiro escalão para ser aprovada. O chumbo abrupto desta proposta, a meio da época, retira cerca de seis milhões de euros que já estavam orçamentados para os clubes da Liga 2, criando, segundo os mesmos, um “desequilíbrio financeiro grave e inesperado”.
Revolta e Incompreensão entre os Clubes da Liga 2
Em comunicado conjunto, os emblemas da Liga 2 expressaram “total incompreensão” face à “inversão de voto por parte de clubes que, na época transata, votaram favoravelmente à partilha deste mecanismo”. Esta mudança de postura é vista como um fator de preocupação para a coesão de “uma Liga que deveria lutar pela união”. A perda destes fundos representa um golpe significativo para as finanças destas instituições, muitas das quais dependem criticamente destes valores para a sua sustentabilidade.
Ameaça à Formação e Divisão no Futebol Português
A decisão vai além do impacto financeiro imediato, atacando “diretamente o coração do nosso futebol, a formação”. A nota dos clubes da Liga 2 alerta que a não afetação destas verbas coloca em risco direto as academias e escalões de formação, que em muitos casos são geridos pelos próprios clubes e não pelas SADs, dependendo criticamente destes fundos. Este cenário surge num momento crucial, em que o futebol português se prepara para discutir temas estruturais como a centralização dos direitos televisivos e a revisão dos quadros competitivos, e, segundo os clubes, “esta votação serve apenas para dividir uma Liga que deveria trabalhar pela união”.
Gesto de Solidariedade de Vitória SC e Estrela da Amadora
Apesar do desfecho negativo, os clubes da Liga 2 fizeram questão de destacar a “postura exemplar e solidária dos 12 clubes da Liga, que de uma forma altruísta votaram a favor”. De forma especial, foi expresso um “público e profundo agradecimento ao Vitória SC e ao Estrela da Amadora”. Estes dois clubes, num “gesto de nobreza e responsabilidade para com o ecossistema do futebol”, já se disponibilizaram a ceder a sua parte das verbas em prol dos clubes do escalão secundário, demonstrando um espírito de cooperação em meio à controvérsia.
O Impacto Financeiro e a Virada na Votação
A votação, realizada por voto secreto, resultou na perda de cerca de seis milhões de euros para os clubes do segundo escalão. Estes valores seriam cedidos pelos clubes da Liga que não participam nas competições europeias, os quais têm direito a um bolo global de 12 milhões de euros. A situação contrasta com a última reunião magna sobre o tema, a 16 de janeiro, onde dos 17 clubes da I Liga presentes, 12 votaram a favor, quatro contra e houve uma abstenção, indicando uma mudança de posição que agora gera um “desequilíbrio financeiro grave” para o futebol profissional português.





