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Beatriz Conduto, do Rio Ave, revela como o futebol moldou sua vida e impulsiona a evolução do esporte feminino em Portugal

Beatriz Conduto, Do Rio Ave, Revela Como O Futebol Moldou Sua Vida E Impulsiona A Evolução Do Esporte Feminino Em Portugal

A paixão pelo futebol é um caminho que, para muitos, começa na rua. Para Beatriz Conduto, meia do Rio Ave e uma das protagonistas do Flash Feminino do Flashscore, essa trajetória não foi diferente. “Muito do que levo para a vida vem do que aprendi no futebol”, afirma a jogadora, cuja jornada reflete não apenas seu crescimento pessoal e profissional, mas também a notável evolução do futebol feminino em Portugal.

A Paixão que Nasceu na Rua e o Primeiro Salto

A primeira memória de Beatriz Conduto com o futebol remonta aos treinos com o pai, de bicicleta, perto de casa. No entanto, a verdadeira paixão floresceu nas brincadeiras com os vizinhos. “Jogava futebol na rua com os meus vizinhos a toda a hora”, lembra, ao ponto de a mãe ter que intervir para que regressasse. A ideia de jogar em um clube surgiu inesperadamente, por meio de um amigo que a convidou para sua equipe. A transição foi natural, pois já estava habituada a jogar com rapazes. “Basicamente, só mudou o campo”, afirma.

Aos 15 anos, Beatriz decidiu mudar para o futebol feminino. A adaptação a um balneário com jogadoras mais velhas, algumas já com filhos e vindas do trabalho, foi um choque. “Foi uma realidade completamente diferente”, explica. Naquela época, o futebol feminino em Portugal ainda não oferecia as mesmas perspectivas. “Eu só jogava por diversão. Não pensava muito além, porque na altura não havia tantas possibilidades. Eu olhava e pensava: ‘Isto nunca vai acontecer’”, recorda.

O Aprendizado no Sporting e a Mudança para o Norte

Aos 16 anos, tudo mudou com o surgimento de projetos como o do Sporting, clube ao qual Beatriz se juntou no primeiro ano. Os cinco anos no Sporting foram cruciais para seu desenvolvimento. “Cresci muito como jogadora e como pessoa”, afirma, destacando o valor humano e o aprendizado intenso sobre o jogo. “Antes eu ia para o campo e jogava; hoje não consigo estar dentro do campo sem pensar nas possibilidades que existem em cada momento.” A jogadora faz questão de ressaltar a importância da treinadora Mariana Cabral em seu percurso, descrevendo-a como uma figura “muito competente” e cuja importância “vai além do campo”.

A decisão de deixar o Sporting para ir para o Norte foi dura, mas vista como necessária para um contexto mais favorável. Foi um período de adaptação difícil, que a tirou da zona de conforto e a fez crescer. “Tive um ano difícil, de adaptação, que não correu como idealizava, mas que me fez crescer muito”, confessa. No Norte, encontrou um futebol “mais agressivo”, com mais “sangue”, o que exigiu uma nova adaptação.

A Felicidade e a História Escrita no Rio Ave

O retorno ao Rio Ave marcou um novo capítulo de felicidade. A ligação com o clube nasceu de um acolhimento genuíno em um momento de incerteza. “Mesmo eles sem saberem se eu ficaria, acolheram-me desde o primeiro dia”, conta Beatriz. Encontrou uma equipe “muito humana, muito acolhedora”, que se tornou uma verdadeira família. Após uma primeira passagem com um desfecho não desejado, a oportunidade de regressar surgiu, culminando em uma temporada histórica: a subida à Liga.

A temporada da promoção foi de altos e baixos, com lesões e desafios, mas a união da equipe prevaleceu. “Nos momentos mais difíceis soubemos unir-nos e dar a volta”, relata. A vitória no playoff contra uma equipe da Liga foi o “culminar de tudo o que tínhamos trabalhado”. Já na Liga, a competição está “mais disputada”, e o Rio Ave busca melhorar na segunda volta. A confiança da equipe, que Beatriz descreve como “dos grupos mais unidos que já tive”, é a chave para os objetivos. O recente golo no último lance de uma partida foi um “alívio” e a confirmação de que o trabalho tem de compensar. “Foi muita felicidade e, honestamente, foi um ‘finalmente’”, partilha.

O Futuro do Futebol Feminino e o Legado Desejado

Aos 25 anos, Beatriz Conduto vê o futebol com olhos de jogadora e, por vezes, de treinadora, dada sua experiência prévia. Ela acredita que os próximos 10 anos do futebol feminino em Portugal serão de “evolução tremenda”, impulsionada pela qualidade das camadas jovens. “Há jogadoras a crescer com uma escola diferente, com muita qualidade, e isso vai fazer uma grande diferença nos próximos anos”, projeta.

Para a Beatriz criança que jogava na rua, a mensagem seria clara: “Diria para continuar a sonhar, mas para trabalhar tanto quanto sonha. Porque, no fundo, o trabalho acaba sempre por compensar.” Quando terminar a carreira, deseja ser lembrada pela pessoa que foi, pelo apoio e por colocar a equipe em primeiro lugar. “O futebol moldou-me como jogadora e como pessoa. Muito do que levo para a vida vem do que aprendi aqui e das pessoas com quem me cruzei”, reflete.

Por fim, a jogadora deixa uma mensagem a quem ainda olha com desconfiança para o futebol feminino: “Gostava que percebessem que, tal como os homens, nós trabalhamos muito e muitas vezes temos de trabalhar em dobro ou em triplo para ter o reconhecimento que desejamos.” Ela pede que as pessoas deem uma oportunidade ao desporto feminino, pois “fazemos coisas bonitas também”. A mentalidade de que “o futebol é para os homens” precisa mudar, e é hora de dar uma chance ao esporte feminino em Portugal.

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