A fase de apuramento de subida da Liga 3 está prestes a ter o seu pontapé de saída, reunindo as oito melhores equipes da competição. No grupo Norte, o Amarante garantiu sua vaga ao lado de Vitória SC B, Varzim e Trofense, enquanto Belenenses, Mafra, Académica e União de Santarém avançaram pelo grupo Sul. Em meio à intensa expectativa para a etapa decisiva, o Flashscore conversou com Alex Costa, treinador do Amarante, que detalhou a impressionante recuperação de sua equipe e a estratégia mental que considera crucial para a busca pelo tão almejado acesso.
A Reviravolta de uma Equipe Fragilizada
Ao recordar o trajeto desafiador até a qualificação, Alex Costa relembrou o cenário complicado que encontrou ao assumir o comando do Amarante na oitava jornada, a 17 de outubro. “Quando cheguei, a equipe estava muito fragilizada emocionalmente, com apenas cinco pontos e em posição delicada na tabela”, explicou o técnico. A estreia foi contra o Paredes, com uma vitória “extremamente difícil” em casa. Um momento de grande pressão surgiu quando, após a oitava jornada e antes mesmo de entrar em campo, o Amarante caiu para o último lugar da classificação devido a resultados de terceiros. Com pouco tempo para trabalhar, Costa focou no essencial: criar laços com os jogadores, gerar uma energia diferente, definir objetivos claros e, acima de tudo, incutir a crença no trabalho. “Os jogadores acreditaram nessa ideia, os resultados começaram a aparecer e fortaleceram o grupo”, afirmou. O resultado foi uma ascensão notável, saindo do sétimo lugar para encerrar a primeira fase na segunda posição, com os mesmos pontos do Vitória SC B, um feito que o deixa “extremamente orgulhoso, feliz e confiante” no futuro.
Exigência Diária e a Lição da Derrota
Alex Costa identificou dois momentos cruciais que catalisaram a virada da equipe. O primeiro ocorreu num dos primeiros treinos, quando, apesar do bom trabalho, houve uma quebra de intensidade que o desagradou. “Tivemos ali um confronto positivo, no sentido de perceberem que, para sair daquela situação, teríamos de trabalhar todos os dias no limite, como se fosse sempre o último treino”, revelou o treinador. A partir daí, a equipe compreendeu que apenas com exigência diária, energia alta e compromisso total seria possível crescer, e o grupo “respondeu de forma exemplar”. Costa faz questão de sublinhar que o grande mérito desta recuperação é dos jogadores, a quem se refere como um “grupo extraordinário”. O segundo ponto de viragem foi a única derrota sofrida sob seu comando, frente ao Vitória SC B, em casa. “Parámos, refletimos e percebemos que uma equipe com objetivos não pode claudicar duas vezes”, disse. A reação foi imediata e contundente, com uma grande vitória fora de casa contra o São João de Ver, que deu início a um ciclo muito positivo que se mantém até hoje.
A Gestão de Expectativas como Fator Diferenciador na Liga 3
Com a chegada da fase de subida, Alex Costa enfatiza que há um “verdadeiro reset”. “Tudo o que fizemos até aqui vale apenas para termos direito a estar nesta fase”, explica, indicando que agora é “começar do zero, trabalhar ainda mais, exigir ainda mais”. Questionado sobre o que pesará mais – a componente física ou a mental –, o técnico é categórico: “Para mim, acima de tudo, o mental”. Embora reconheça a importância do físico, especialmente em plantéis mais curtos onde a gestão de lesões pode ser um fator, Costa aponta a “capacidade de gerir expectativas” como o grande fator diferenciador. Ele salienta que “ninguém sobe à quinta jornada, nem fica afastado da subida nessa altura”, e que as equipes que souberem lidar com bons e maus momentos, mantendo o equilíbrio emocional e a crença no processo, serão as que mais se aproximarão do acesso. Esse controle emocional será, para ele, decisivo.
Ambição e o Crescimento da Liga 3
Sobre o papel do Amarante entre os “favoritos” na fase de subida, Alex Costa reconhece que todas as oito equipes almejam a promoção, mas diferencia a responsabilidade. “Há clubes que, pelo orçamento, pelo peso histórico ou pelo projeto definido desde o início, carregam maior responsabilidade”, observa. Contudo, o Amarante “não foge à ambição e a esse sonho”. “Vamos jogar cada jogo para ganhar. Sabemos que não temos a mesma responsabilidade de outros clubes, mas isso não nos impede de ter tanta ou até mais ambição”, declarou, focando em conquistar os três pontos no primeiro desafio fora de casa, na Póvoa, contra um adversário fortíssimo. O treinador também teceu elogios à evolução da Liga 3, que, segundo ele, tem cumprido seu objetivo de aproximar clubes, jogadores e treinadores dos patamares profissionais, promovendo exigência, organização e visibilidade. Ele citou exemplos como o Fafe, que competiu de igual para igual com clubes da Liga, como prova da qualidade da competição. “Para clubes como o Amarante, é um privilégio estar regularmente presente nas fases decisivas”, concluiu, ressaltando o crescimento e profissionalização do clube.
A nível pessoal, Alex Costa vive este regresso à competição com “muito equilíbrio”, feliz por ter escolhido o Amarante, um clube que considera sério, com uma estrutura sólida e um grupo humano forte. “Foi um risco calculado, mas estou muito feliz”, afirmou, salientando o prazer em liderar um grupo fantástico e a vontade de “dar alegrias aos nossos adeptos e à nossa cidade”. Para os adeptos do Amarante, que ele descreve como um clube “muito acarinhado pela sua gente” e uma região que “gosta de futebol”, o técnico garante empenho total. Ele lembrou o apoio massivo em jogos fora de casa, como em Paredes, e expressou a certeza de que a torcida continuará a “encher as bancadas” nesta fase final. Com a convicção de que o clube tem o caminho certo, Alex Costa expressa a crença de que o Amarante chegará aos campeonatos profissionais: “Não sei quando, mas tenho a certeza de que acontecerá.”