Olten Ayres de Abreu Júnior, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, veio a público para esclarecer as recentes modificações no processo de impeachment que o presidente Julio Casares enfrenta. As explicações surgem em meio a questionamentos sobre a legalidade e a imparcialidade das decisões, que incluem uma mudança no quórum necessário para o afastamento e a exigência de voto presencial. Olten negou veementemente qualquer favorecimento, afirmando que suas ações visam exclusivamente os interesses do clube.
Quórum elevado e o princípio ‘In Dubio Pro Reo’
A principal alteração divulgada em novo edital, na última quinta-feira (9), elevou o quórum para afastamento de dois terços para 75% dos votos dos conselheiros. Olten justificou a mudança citando o artigo 58 do Estatuto do São Paulo, que determina essa porcentagem, em detrimento do artigo 112, que previa dois terços. O dirigente reconheceu a existência de dois artigos sobre o mesmo assunto, mas explicou a escolha pelo 58 com base no princípio jurídico ‘In dubio pro reo’ (‘na dúvida, a favor do réu’). ‘Estou servindo aos interesses do São Paulo. Nenhuma das decisões feriu o Estatuto do São Paulo’, reforçou Olten, rechaçando a ideia de benefício a Casares.
Voto presencial e adiamento da reunião
Outra decisão que gerou controvérsia foi a exigência de voto presencial, contrariando a solicitação da oposição por voto híbrido, devido ao receio de esvaziamento da reunião em período de férias. Olten defendeu a medida, argumentando que a votação para o afastamento de um presidente é um ‘tema delicado’ que ‘mexe com estrutura e credibilidade do clube’. Segundo ele, o voto secreto deve ser presencial para evitar contestações e recontagens, e que o voto eletrônico, por si só, não permite auditoria sem a revelação do eleitor. Ele relembrou um questionamento sobre votos no orçamento de 2026, aprovado por uma margem de apenas cinco votos. A data da votação também foi alterada, de 14 para 16 de janeiro, para cumprir a antecedência mínima de oito dias para a convocação do Conselho Deliberativo. Questionado sobre o fato de outros processos disciplinares e de expulsão de conselheiros terem tido voto híbrido e secreto em sua gestão, Olten diferenciou, afirmando que o impeachment de um presidente é ‘de vulto muito maior, importância violenta e mexe com a vida do clube de maneira profunda’.
O caminho do impeachment no Morumbi
O processo de impeachment foi iniciado por um pedido com 57 assinaturas, superando o mínimo de 50. O Conselho Consultivo, embora tenha emitido parecer contrário ao afastamento de Casares, não tem um voto determinante, mas seu documento serve como base para as discussões. Para que Julio Casares seja afastado, são necessárias duas etapas. Primeiramente, o Conselho Deliberativo precisa de, no mínimo, 191 votos (75% dos conselheiros) para afastá-lo provisoriamente. Em até 30 dias após essa votação, uma Assembleia Geral de sócios do clube será convocada para ratificar a decisão do Conselho Deliberativo, bastando, nesta instância, maioria simples. Se Casares for afastado em ambas as fases, ele é banido do clube. Em caso de renúncia, ele mantém sua posição no Conselho Consultivo, cenário semelhante ao vivido pelo ex-presidente Carlos Miguel Aidar em 2015.
Sindicância do camarote concluída e investigações externas
Sobre outras questões que envolvem o São Paulo, Olten Ayres reconheceu que as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público prejudicam a imagem do clube, mas evitou aprofundar-se no tema por não ter acesso aos inquéritos. No entanto, ele confirmou que a sindicância interna sobre o uso irregular de um camarote no Morumbi já foi concluída pelo Conselho de Ética. Olten resumiu a apuração como ‘bastante densa’ e informou que o conteúdo permanece sob sigilo.





