A final da Copa Africana de Nações, que culminou com o bicampeonato de Senegal, está sob os holofotes não apenas pelo resultado em campo, mas por um grave incidente disciplinar. O protesto de jogadores e membros da comissão técnica senegalesa, que deixaram o gramado após um pênalti polêmico, gerou uma forte condenação do presidente da FIFA, Gianni Infantino, e pode acarretar em severas punições, inclusive o risco de ausência de atletas na próxima Copa do Mundo.
A Controvérsia no Gramado
O episódio ocorreu aos 52 minutos do segundo tempo da decisão, disputada em Rabat, quando a arbitragem assinalou um pênalti de Diouf sobre Brahim Díaz a favor de Marrocos. A decisão revoltou a seleção senegalesa, que, por orientação do técnico Pape Thiaw, abandonou o campo. A partida ficou paralisada por vários minutos, protagonizando um dos momentos de maior tensão na história recente do torneio.
A Dura Condenação da FIFA
Em nota oficial, Gianni Infantino não poupou críticas. O presidente da FIFA classificou as cenas como “inaceitáveis” e “incompatíveis com os valores do futebol”. “A violência não pode ser tolerada no nosso esporte, simplesmente não é correta”, declarou. Infantino enfatizou a importância do respeito às decisões da arbitragem, mesmo diante de erros, e a responsabilidade das seleções em dar um bom exemplo. “As cenas feias testemunhadas hoje devem ser condenadas e nunca repetidas”, afirmou, cobrando medidas firmes da Confederação Africana de Futebol (CAF).
Punições Disciplinares em Perspectiva
De acordo com o regulamento da CAF, Senegal pode ser multado em valores que variam entre 50 mil e 100 mil euros. Além da sanção financeira, o comportamento dos atletas e da comissão técnica será rigorosamente analisado pelos órgãos disciplinares. A possibilidade de suspensões individuais é real e pode impactar diretamente a participação dos envolvidos em futuras competições internacionais, incluindo a temida ausência na Copa do Mundo.
O Desfecho da Partida e a Tensão Pós-Jogo
Após longos minutos de paralisação, foi o capitão Sadio Mané quem interveio, pedindo o retorno da equipe ao gramado. O pênalti, cobrado, foi defendido pelo goleiro Édouard Mendy. Senegal acabou vencendo a partida por 1 a 0 na prorrogação, garantindo o bicampeonato continental. Contudo, a tensão persistiu. O técnico Pape Thiaw, ao tentar comparecer à coletiva de imprensa, foi hostilizado por vaias e gritos de “saia”, resultando no cancelamento da entrevista e na prolongação de um clima de animosidade.