O presidente do São Paulo, Julio Casares, enfrenta um cenário político cada vez mais adverso no clube. A coalizão que o elegeu para dois mandatos tem mostrado rachaduras significativas, com conselheiros antes aliados agora se juntando a um movimento que pede o afastamento do dirigente. O movimento ganhou força após a oposição formalizar um pedido de impeachment, e agora, dissidentes da própria base de Casares se mobilizam.
Dissidência interna fortalece pedido de afastamento
Segundo apurou o Estadão, um grupo de 22 conselheiros que anteriormente apoiavam Casares tornou-se dissidente e assinou um documento solicitando seu afastamento. Essa nova adesão eleva o número de conselheiros que desejam a saída do presidente para pelo menos 80. A oposição já havia reunido 58 assinaturas em um primeiro pedido formal.
Entre os nomes que agora se opõem a Casares estão figuras proeminentes. Carlos Belmonte, ex-diretor de futebol e potencial candidato à presidência em 2026, faz parte do grupo Legião, que assinou o documento da oposição. Outro nome relevante é Vinicius Pinotti, ex-diretor executivo e consultor da presidência, que rompeu laços após a divulgação de investigações policiais sobre supostos desvios em vendas de atletas.
Escândalos e investigações abalam a gestão
A crise política no São Paulo se intensificou com uma série de episódios recentes. Um deles foi o vazamento de um áudio que revelou um esquema para comercialização clandestina de camarotes no MorumBis durante shows. Diretores flagrados na gravação, Mara Casares e Douglas Schawrtzmann, já se afastaram dos cargos. O Ministério Público de São Paulo solicitou a abertura de inquérito policial, e o clube iniciou sindicâncias internas e externas.
Paralelamente, a Polícia Civil de São Paulo investiga diretores por supostos desvios de verba em negociações de atletas. Esses escândalos geraram grande tensão na diretoria e fortaleceram a posição da oposição, que agora vê uma janela de oportunidade para forçar a saída de Casares e projetar suas candidaturas para a eleição presidencial de 2026.
Próximos passos para o impeachment
Para que o processo de impeachment avance, o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, precisa convocar uma reunião extraordinária, o que pode ocorrer em até 30 dias após o recebimento dos pedidos de afastamento. Se a votação for levada adiante, será necessária uma maioria qualificada de dois terços do Conselho (171 dos 255 votos) para um afastamento provisório. Posteriormente, uma Assembleia Geral de sócios terá que ratificar a decisão, com maioria simples.
Em caso de destituição de Julio Casares, o vice-presidente Harry Massis Junior assumiria a presidência até a eleição de 2026, quando os conselheiros elegerão o novo mandatário em votação indireta.





