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Karolína Pliskova, Ex-Número 1 do Tênis, Desabafa Sobre Dúvidas e o Recomeço Emocional na Austrália Após Duas Cirurgias

Karolína Pliskova, Ex Número 1 Do Tênis, Desabafa Sobre Dúvidas E O Recomeço Emocional Na Austrália Após Duas Cirurgias

A Austrália, palco de grandes momentos em sua carreira, pode ser o cenário de um novo capítulo ou, quem sabe, da despedida para Karolína Pliskova. A ex-número um do mundo, que já disputou duas finais de Grand Slam, enfrenta um dos maiores desafios de sua trajetória: regressar à elite do tênis após uma grave lesão no tornozelo e duas cirurgias que a afastaram dos holofotes e a deixaram fora do top 1000 mundial.

A tenista checa, em entrevista exclusiva antes de viajar para o continente oceânico, não escondeu a complexidade do seu retorno. “Esta pode ser a última viagem da sua carreira. Mas talvez a Austrália lhe traga uma nova energia e devolva a confiança de que pode voltar à elite do tênis”, pondera a reportagem.

A Luta Contra as Lesões e o Retorno Frustrado

Desde que sofreu uma grave lesão no tornozelo em um dos maiores torneios, Pliskova foi submetida a duas cirurgias. O primeiro retorno, tentado no outono passado, durou apenas três encontros antes que ela tivesse que se afastar novamente. Os torneios de menor dimensão revelaram uma realidade dura: o caminho de volta seria mais árduo do que o imaginado.

“Houve mesmo um momento em que pensei que talvez nunca voltasse. Não era só o pé que doía – as costas, o braço, tudo me doía. Simplesmente não fazia sentido”, admitiu Pliskova, descrevendo o período de incertezas e dores que quase a fizeram abandonar o esporte. A decisão de dar mais uma oportunidade ao início do ano veio após um período de reflexão e uma mudança na abordagem de treino.

A Esperança Australiana: Um Novo Capítulo?

Apesar das dúvidas, a viagem para a Austrália carrega um significado especial. “Sempre foi a minha parte preferida da época, sempre gostei de todos os torneios lá. Por isso, estou ainda mais entusiasmada, especialmente porque no ano passado não pude estar presente”, revelou a tenista, que planeia um calendário intenso com Brisbane (usando seu ranking protegido), Adelaide e, finalmente, Melbourne.

Sobre as expectativas, Pliskova é cautelosa: “Não tenho expectativas, estou apenas ansiosa por ir. Não só pelos torneios, mas por todo o ambiente. Nunca se sabe quando pode ser a última vez. Não creio que voltasse só para visitar depois de terminar a carreira.” Esse sentimento de incerteza quanto ao futuro adiciona uma camada dramática à sua presença nos courts australianos.

Preparação Renovada e a Confiança Reconstruída

Diferente da tentativa anterior, Pliskova sente que desta vez a preparação foi mais eficaz. “Tenho de dizer que as coisas acalmaram um pouco. Talvez tenha começado cedo demais no outono. O meu pé não estava realmente pronto, nem o meu corpo. Agora está melhor. Passei quase todo o mês de dezembro sem grandes problemas”, explicou.

A preparação incluiu uma série de jogos-treino contra rivais de peso, como Jekaterina Alexandrova, Nikola Bartunkova, Julia Grabher e Katka Siniakova. “Antes, perdia a maioria dos encontros de treino, mas desta vez quase todos correram bem. Foi uma boa surpresa”, afirmou. Essa nova abordagem e os resultados positivos nos treinos trouxeram um otimismo renovado, apesar de ela não ter ilusões sobre a perfeição do regresso.

O Jogo em Evolução e o Futuro Aberto

Observando o tênis feminino à distância por um ano e meio, Pliskova notou mudanças significativas. “Acho que está sempre a evoluir e tudo parece estar mais rápido. Todas trabalham muito, mesmo que não haja grandes saltos. As melhores têm-se mantido estáveis nos últimos anos, mas há algumas caras novas e jovens”, analisou. Ela percebe uma tendência para um tênis mais potente e veloz, com menos trocas longas, o que, ironicamente, pode ser uma pequena vantagem para o seu estilo de jogo.

Quanto ao futuro pós-Austrália, a tenista não tem planos definidos. “Sinceramente, quero esperar para ver como corre na Austrália e depois talvez façamos um plano a mais longo prazo. Vou ver como correm os encontros, como me sinto mental e fisicamente, e quanta vontade tenho de continuar”, declarou. Pliskova enfatiza que não quer forçar a continuidade de sua carreira se não estiver bem fisicamente ou se não estiver desfrutando do esporte, apesar de ainda ter muitas participações protegidas e convites disponíveis. Sua prioridade é jogar sem dores e com prazer.

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