Investigação Milionária em Brasília
Gestores de times de futebol de Brasília foram identificados pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDF) como operadores de um suposto esquema milionário liderado pelo ex-senador e empresário Luiz Estevão. A investigação, batizada de Operação Al Capone, aponta para fraudes, estelionato e lavagem de dinheiro em compras e aluguéis de imóveis na capital federal entre 2011 e 2021, utilizando empresas de fachada para movimentar quantias bilionárias e dificultar o rastreamento do dinheiro.
Grupo Ok Sob Suspeita
Segundo o MPDF, Luiz Estevão, dono do Grupo Ok e do site Metrópoles, lideraria um grupo econômico que teria obtido enriquecimento ilícito em detrimento do erário distrital. A investigação foca no funcionamento do Grupo Ok, voltado ao mercado imobiliário, que teria praticado atos fraudulentos contra a administração pública, gerando um desfalque milionário. Entre 2013 e 2019, as empresas do grupo teriam recebido R$ 2,5 bilhões e movimentado R$ 1,5 bilhão. A suspeita recai sobre R$ 336 milhões em impostos e tributos não pagos deliberadamente ao Governo do Distrito Federal, além de uma rede de CNPJs envolvidos em uma “ciranda bancária”.
Processos e Defesa
Dois processos foram abertos em 2022 e 2023. A ação criminal foi encerrada em maio do ano passado sem julgamento, após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitar as acusações de organização criminosa, estelionato e lavagem de dinheiro por considerá-las “despropositadas”. A defesa dos investigados alega que o processo cível também deve ser encerrado por “falta de fundamentos”. No entanto, a ação civil pública ainda tramita, pedindo R$ 128,8 milhões em multas e indenizações, além da dissolução de empresas de fachada e proibição de receber subsídios públicos.
Personagens e Conexões com o Futebol
Entre os oito investigados, destacam-se Maria Vânia Pinheiro de Brito e José Eduardo Bariotto Ramos, descritos como peças-chave na teia de times de futebol controlados por Luiz Estevão. Vânia Brito, funcionária do grupo, é dona do clube Samambaia, enquanto Eduardo Ramos representa cinco times de Brasília (Brasiliense, Samambaia, Ceilandense, Aruc e Cruzeiro-DF). A investigação aponta que ambos foram sócios de empresas do grupo e responsáveis por contas bancárias por onde teriam transitado dinheiro ilícito, atuando como “pessoas de confiança e operadores” de Estevão. Uma das filhas de Luiz Estevão, também processada, indicou como testemunha de defesa Viviane Carvalho de Araújo, advogada do Grupo Ok e dona do time Ceilandense.
Modus Operandi Detalhado
A investigação detalha duas frentes principais de atuação do grupo. A primeira envolve uma fraude na compra de um imóvel da Terracap, onde o grupo teria explorado o bem por anos sem os devidos pagamentos e, posteriormente, utilizado uma empresa em nome de Eduardo Ramos e Vânia Brito para arrematá-lo novamente, mesmo com a firma tendo capital social baixo e constando como desativada. A segunda frente aponta para o desvio deliberado de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e Taxa de Limpeza Pública (TLP) através de contratos de aluguel. Inquilinos eram obrigados a repassar os valores dos impostos para imobiliárias do conglomerado, que, em vez de repassar ao governo, “pulverizavam” o dinheiro entre integrantes do grupo. A Secretaria de Economia do Distrito Federal informou que, até novembro de 2021, os imóveis do Grupo Ok deviam R$ 336,5 milhões, a maioria referente a IPTU/TLP, com recolhimentos não realizados desde 2011.





