Pressão e Grandeza: A Visão de Boto sobre o Flamengo
Apesar de um ano vitorioso para o Flamengo, com as conquistas do Campeonato Brasileiro e da Copa Libertadores da América, o diretor de futebol do clube, José Boto, destacou a dificuldade em promover jovens das categorias de base para o elenco profissional. Em entrevista ao podcast português “No Princípio Era a Bola”, Boto comparou a situação com a do Palmeiras, ressaltando a diferença de pressão e a grandeza do clube carioca.
Palmeiras tem mais paciência com jovens, diz dirigente
“Nisso o Palmeiras está mais à frente. Não em ter melhores jogadores na formação, é na transição que faz para o nível profissional”, afirmou Boto. Ele explicou que, no Flamengo, a pressão é tão intensa que um erro de um jovem jogador pode ser fatal para sua confiança e carreira. “Nós tivemos que fazer dois jogos com um sub-17 (João Victor) de defesa central, que não esteve mal, mas teve ali um deslize que mataram. Vai ser um zagueiro top, de Europa, em cinco, seis anos. Mas ali mataram, vai ser muito difícil voltar a jogar ali com o nível de confiança que um menino daquela idade precisa”, relatou o dirigente.
Agressividade nas Redes Sociais e o Impacto nos Jogadores
Boto criticou a forma como a pressão se manifesta no Brasil, especialmente nas redes sociais. “A pressão no Palmeiras é diferente do Flamengo. Não estamos a falar de o jogador não estar pronto para jogar. Estamos a falar de irem à rede social do jovem, da mãe, darem cabo dele, dizerem que fez de propósito. Coisas completamente loucas que não estamos habituados na Europa”, desabafou. Segundo ele, essa agressividade dificulta a aposta em jovens talentos, que necessitam de um ambiente de confiança para se desenvolverem.
Expectativas para 2026 e Reforços Pontuais
O dirigente previu uma temporada de 2026 ainda mais desafiadora, mesmo com as conquistas recentes. “Acho que a temporada vai ser mais difícil porque não é fácil repetirmos o que fizemos. Conhecendo eu, a imprensa e a torcida, eles vão exigir o mesmo e mais ainda, mesmo que não exista mais para ganhar”, disse. Boto também indicou que o elenco pode sofrer ajustes pontuais, sem grandes revoluções. Ele ressaltou a busca por jogadores com mais bagagem e experiência, capazes de lidar com a pressão do Maracanã lotado e de uma imprensa “agressiva”, além da intenção de trazer uma “cultura mais europeia” para o clube.





