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Perícia aponta erro da Caixa em multa de 10% e cobrança de R$ 255 milhões ao Corinthians

Perícia Aponta Erro Da Caixa Em Multa De 10% E Cobrança De R$ 255 Milhões Ao Corinthians

Perícia Aponta Erro Da Caixa Em Multa De 10% E Cobrança De R$ 255 Milhões Ao Corinthians

Relatório técnico levanta suspeitas sobre cálculos do banco estatal

Uma perícia independente contratada pelo Corinthians aponta falhas significativas na forma como a Caixa Econômica Federal calculou multas e o saldo devedor referente ao financiamento da Neo Química Arena. O documento, que motivou a abertura de um procedimento administrativo no Ministério Público, sugere que o banco estatal aplicou uma multa de 10% sobre o valor total do contrato, em vez de incidir apenas sobre as parcelas em atraso, o que teria gerado uma cobrança indevida de R$ 44,9 milhões apenas em 2019.

Além da questão da multa, a perícia reconstruiu o saldo devedor do financiamento iniciado em 2013. Segundo os cálculos independentes, a Caixa ajuizou uma execução cobrando R$ 536 milhões em agosto de 2019, quando o valor correto seria de R$ 280,3 milhões. Essa diferença representa uma cobrança injustificada de aproximadamente R$ 255,7 milhões.

Detalhes da divergência nos cálculos

O perito Anísio Castelo Branco, do Instituto de Perícia Investigativa (IPI), responsável pelo relatório, detalha que a Caixa aplicou a multa de 10% sobre o valor total do contrato, que era de R$ 487,3 milhões, resultando em uma sanção de R$ 48,7 milhões. No entanto, a perícia indica que a penalidade deveria ter sido aplicada apenas sobre as obrigações vencidas e em atraso, que somavam R$ 37,8 milhões. Essa aplicação incorreta gerou uma cobrança a mais de R$ 44,9 milhões em 2019, que, atualizada até agosto de 2026, alcança R$ 70,8 milhões.

No que tange ao saldo devedor, a perícia aponta que a reconstrução matemática do montante desde o início do financiamento revelou uma discrepância considerável. O valor de R$ 536 milhões cobrado pela Caixa em 2019 foi contestado pelos cálculos independentes, que apontaram R$ 280,3 milhões como saldo correto para o período. A diferença de R$ 255,7 milhões, atualizada até agosto de 2026 com os próprios encargos contratuais, chega a mais de R$ 402,7 milhões.

Ausência de planilhas e histórico da dívida

O relatório técnico também menciona a dificuldade em justificar a evolução do financiamento original de R$ 400 milhões, contratado em 2013. Segundo a perícia, não foram encontradas planilhas ou memórias de cálculo completas que permitissem reconstruir os valores apresentados pela Caixa. O Corinthians, apesar de ter quitado cerca de R$ 600 milhões pela Arena, ainda possui um saldo devedor com o banco, que foi reestruturado em 2022.

Naquele acordo, a dívida foi fixada em R$ 611 milhões, com prazo de quitação de 20 anos, e o pagamento passou a ser feito em parcelas trimestrais com recursos de naming rights, bilheteria e eventos. Entre 2019 e 2022, a suspensão dos pagamentos durante a renegociação elevou os encargos. As parcelas inicialmente cobriram os juros, e a amortização do principal só começou em 2025. Negociações para reduzir os juros ainda estão em andamento, sem acordo até o momento.

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