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Jair Ventura: ‘É ignorância pensar que a cor do passaporte define se um técnico é melhor’

Jair Ventura: ‘É Ignorância Pensar Que A Cor Do Passaporte Define Se Um Técnico é Melhor’

Jair Ventura: ‘É Ignorância Pensar Que A Cor Do Passaporte Define Se Um Técnico é Melhor’

Fase Madura e Inspiração em Zagallo

Jair Ventura, atualmente no comando do Vitória, se considera em sua fase mais madura como treinador. Com passagens por Botafogo, Corinthians e Santos, ele acumula uma década de experiência, muitas vezes em clubes lutando contra o rebaixamento. Inspirado por ícones como Zagallo, Jair Ventura acredita que o futebol brasileiro precisa de renovação, mas ressalta que a qualidade de um profissional não é definida pela nacionalidade ou idade.

“Tem que ser o que a gente tem de melhor. É uma ignorância pensar que a cor do passaporte define se um profissional é melhor do que o outro, assim como a idade também não define”, afirmou em entrevista ao Estadão. Ele complementa que nem todos os treinadores estrangeiros são bons, assim como nem todos os brasileiros se destacam.

Protagonismo do Atleta e o Jogo Moderno

Com o Vitória, Jair conquistou a Copa do Nordeste e chegou às quartas de final da Copa do Brasil, eliminando equipes como Flamengo e Athletico-PR. Para ele, o segredo do sucesso reside em potencializar os jogadores, mas o protagonismo é inteiramente deles. “O grande segredo do treinador é potencializar os seus jogadores. Mas o protagonismo é 100% dos atletas”, disse.

Jair Ventura também comentou sobre as mudanças no futebol moderno, destacando o aumento da intensidade física e a tática mais elaborada. Ele observa que o futebol se tornou mais físico do que antigamente, com jogadores atingindo altas distâncias em campo. A tática também evoluiu, com sistemas de jogo que se adaptam às características dos atletas.

O Peso das Redes Sociais e a Gestão de Grupo

O treinador expressou preocupação com o ambiente do futebol, especialmente com o impacto das redes sociais. Ele acredita que a internet e as mídias sociais pioram a pressão sobre atletas e comissões técnicas, levando a discussões que extrapolam o profissional. “A gente tem que saber conviver com isso”, ponderou, lembrando de casos de violência e ameaças no esporte.

Sobre a gestão de elenco, Jair Ventura defende uma abordagem individualizada. Ele realiza uma anamnese com cada jogador para entender o ser humano por trás do atleta, buscando ajudá-los a evoluir tanto profissional quanto pessoalmente. “Se eles chegarem hoje aqui comigo e saírem amanhã, quero que saiam não só como jogadores melhores, mas também como pessoas melhores”, declarou.

Carreira e Sonhos Futuros

Com uma década de carreira, Jair Ventura se diz satisfeito com sua trajetória, mas mantém o desejo de continuar evoluindo. Ele sonha em trabalhar fora do país, mas reconhece os desafios, como a necessidade de licenças e o domínio de idiomas. Sobre treinar a seleção brasileira, ele considera cedo, focando em fazer o melhor no presente para construir um futuro promissor.

Ele também refletiu sobre os momentos conturbados que viveu em clubes como Corinthians e Santos, mas prefere não focar no passado. Atualmente, está feliz no Vitória e dedicado a fazer um bom trabalho. Acredita que a competência, e não a nacionalidade, deve ser o critério para a escolha de treinadores, seja no Brasil ou no exterior.

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