O ex-meia Valdo, que defendeu a Seleção Brasileira em 45 jogos e duas Copas do Mundo (1986 e 1990), expressou otimismo quanto ao desempenho do Brasil no Mundial de 2026. Em entrevista à agência Lusa, o antigo jogador do Benfica, de 62 anos, afirmou que a equipe está mais coesa e compacta desde a chegada do técnico Carlo Ancelotti, enxergando a Seleção com potencial para brigar pelo título.
O Efeito Ancelotti: Coesão e Disciplina Tática
Para Valdo, a principal mudança na Seleção Brasileira é a forma de jogar. “O Brasil tem bons valores e, desde a chegada do Carlo Ancelotti, joga de forma diferente, mais compacta. É mais equipa, algo que não era antes. Quando assim é, os jogadores mais apurados tecnicamente podem fazer a diferença e a seleção chegar muito longe”, destacou. Ancelotti, o quarto estrangeiro a comandar o Brasil, assumiu em maio de 2025, trazendo sua filosofia de consistência e solidez.
Valdo ressalta a capacidade do técnico italiano de incutir disciplina tática. “O Brasil defende muito melhor hoje, porque tem disciplina tática. Quando se olha para as equipas de Carlo Ancelotti, são consistentes, sólidas e cada um sabe qual é a sua missão”, explicou, comparando o impacto de Ancelotti ao de técnicos portugueses de sucesso no futebol brasileiro, como Jorge Jesus e Abel Ferreira. Segundo o ex-meia, Ancelotti, com seu “jeito paizão de falar, sempre tranquilo, mas firme”, foi uma “grande escolha” para a Seleção.
Caminho Desafiador e o Grupo C da Copa
No Mundial de 2026, que será coorganizado por Estados Unidos, México e Canadá, o Brasil integra o Grupo C ao lado de Marrocos, Escócia e Haiti. A estreia da canarinha será em 13 de junho contra Marrocos, em East Rutherford, cidade-sede da final. Valdo não escondeu a preocupação com o adversário africano. “Se me perguntar se queria (que o Brasil defrontasse) Marrocos, dizia de caras que não. É uma grande seleção e a maioria dos seus jogadores atua na Europa. Tem futebol irreverente e futebolistas altamente criativos, com muita força”, alertou, mencionando o bom desempenho marroquino na Copa de 2022 e o recente título da Copa das Nações Africanas (CAN) de 2025.
Após o embate inaugural, o Brasil enfrentará Haiti e Escócia, nos dias 19 e 24 de junho, em Filadélfia e Miami, respectivamente. O torneio, que pela primeira vez contará com 48 seleções e 104 jogos, terá um formato de 12 grupos, com os dois primeiros colocados de cada um e os oito melhores terceiros avançando para os 16 avos de final.
Brasil Entre os Favoritos ao Título Mundial
Recordista de títulos mundiais, com cinco conquistas (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002), o Brasil busca o hexacampeonato após eliminações nas quartas de final em quatro das últimas cinco edições (2006, 2010, 2018 e 2022) e uma nas semifinais (2014). Valdo acredita que a Seleção Brasileira tem tudo para ir longe. “O Brasil tem todas as condições para ir até à disputa do título. Para mim, não há uma equipa favorita. Nesse leque, coloco Portugal, a França, que é forte, a Espanha, com futebol irreverente e sólido, a Alemanha, o Brasil e a (detentora do troféu) Argentina”, listou.
O ex-jogador reconhece que o atual Brasil não é o mesmo das equipes que “encantaram tudo e todos” nos anos 70 ou em 1982, mas ainda é “muito forte”. Ele enfatiza a necessidade de adaptação dos jogadores às novas dinâmicas do futebol mundial, que se distanciou do “futebol de rua” para a formação em academias.