Acompanhando o Mundial de 2026 em Nova Iorque, o tetracampeão mundial Ricardo Rocha não hesitou em definir como ‘guerra’ o desafio da Seleção Brasileira em quebrar um jejum de 24 anos sem conquistar a Copa do Mundo. O ex-defesa, que esteve presente nos Mundiais de 1990 e 1994, relembrou a intensa pressão vivida em sua época e disparou contra a influência das redes sociais na rotina dos jogadores atuais, ao mesmo tempo em que demonstrou otimismo com a campanha brasileira e enalteceu a atuação de Vinícius Júnior.
A Pressão de 1994 e o Clima de ‘Guerra’
Ricardo Rocha trouxe à tona as memórias do Mundial de 1994, onde o Brasil também enfrentava um longo período sem títulos. ‘Pressão…’, iniciou ele, lembrando o clima tenso que se arrastava desde a eliminação na Itália. O ex-jogador destacou o jogo contra os Estados Unidos, no dia 4 de julho, como o mais difícil e quente daquela campanha, marcando a expulsão de Leonardo. ‘É considerado o Mundial mais quente. Hoje em dia vejo alguns jogos às 19h, 18h. Os nossos eram às 12h. É difícil, é muito calor’, comparou, ressaltando as condições climáticas extremas da época.
Otimismo e a Ascensão de Vinícius Júnior
Questionado sobre o desempenho atual do Brasil, Rocha se mostrou confiante. ‘Descola. A seleção brasileira está num bom momento. São três jogos, sete pontos. Temos um dos melhores marcadores do Mundial, colado com o Messi, que é o Vini Jr.’, afirmou. O ex-zagueiro não escondeu a admiração pelo atacante. ‘Não me surpreende, mas se virmos o que foi feito na qualificação, há muita coisa que surpreende. Ele tem evoluído cada vez mais. E no Mundial está a dizer: ‘Deixem comigo. Eu vou resolver. Não há o Neymar, mas vou dar o meu máximo’. Ele está a dar o sangue. É o melhor jogador do Brasil no Mundial’, declarou. Sobre as outras seleções, Rocha não apontou grandes surpresas, destacando que os favoritos estão se confirmando e que grandes nomes como Mbappé, Harry Kane e Vini Jr. estão ‘rebentando’ nas artilharias.
As Redes Sociais: O ‘Pior’ Inimigo dos Jogadores
Ao abordar o peso dos 24 anos sem título, Rocha foi enfático: ‘Pesa. Mexe, e mexe muito. Por isso eu digo cada vez mais: ‘Saiam do que vem de fora e fiquem dentro’, tudo resolvido entre eles.’ Ele apontou as redes sociais como o principal vilão. ‘As redes sociais são as piores coisas que temos. Não havia isso na minha época. Havia jornal, mas nós também os proibimos de entrar. Jornal não entrava’, revelou. A crítica, segundo ele, era pesada. ‘Nem o 7-1 foi pior do que os anos 1990. Arrasaram com a era Dunga. Arrasaram. Mas ninguém falava sobre isso. Nós falávamos em ser campeões. ‘É a opinião deles. Não damos a volta por cima se estivermos a lembrar isso. O que eles pensam é o que eles pensam. E o que nós pensamos é diferente, e vamos mudar”, relembrou a mentalidade da equipe.
Mata-Mata: ‘Não Dá Para Errar, É Guerra!’
Com a fase de mata-mata se aproximando, Ricardo Rocha reforçou a mentalidade necessária. ‘Perdeu, volta para casa. É o que Zagallo e Parreira nos diziam. Não dá para errar. E não pode aliviar, é guerra. Vai por mim: 24 anos sem ganhar é guerra’, sentenciou. Ele comparou a postura que o Brasil precisa ter com a da Argentina. ‘Olha como entra a Argentina quando vai levar o Messi, ali no balneário, todos o estão a acompanhar. Parece que vão para uma guerra. Temos de ter isso’, enfatizou. Rocha analisou a evolução da Seleção no torneio: ‘O primeiro jogo foi mais ou menos; o segundo teve o primeiro tempo bom; contra a Escócia foi um bom jogo. O segundo tempo um pouco menos, mas a jogar bem. Tiraram alguns jogadores que estavam com cartão. É normal, faz parte do jogo.’
Apesar de o Brasil ainda não ser considerado o favorito, o tetracampeão acredita no hexa. ‘Acredito. Não é que está longe. O Brasil ainda não é o favorito. Mas deixem-nos olhar pelo retrovisor porque o Brasil está a chegar’, concluiu, com a confiança de quem já sentiu o peso e a glória de uma Copa do Mundo.