Falha na logística e percepção equivocada
O ex-zagueiro Luisão, que integrou a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2006, desmentiu a ideia de que o grupo vivia um ambiente de desorganização e falta de foco durante o torneio na Alemanha. Em entrevista ao programa Seleção Estadão, ele classificou como falsa a narrativa construída ao longo dos anos sobre o elenco.
Luisão reconheceu que houve um problema específico relacionado à logística da preparação, que visava aproximar a equipe do público. No entanto, ele ressaltou que essa questão, marcada por invasões de campo, foi distorcida e transformada em uma interpretação equivocada sobre o comportamento dos jogadores.
“Narrativa mentirosa”, afirma ex-zagueiro
O defensor, que acompanhou de perto toda a preparação, rejeitou a forma como a história passou a ser contada após a eliminação para a França nas quartas de final. “Acho que tem uma narrativa contada que eu não concordo. Acho que houve uma falha na logística… Mas fazer disso uma bagunça, que os jogadores não estavam comprometidos, que estavam acima do peso, é uma coisa completamente diferente”, declarou.
Ele reforçou que, por ter estado presente, considera a versão de “bagunça” como “mentirosa”.
Críticas seletivas e o peso do resultado
Luisão também comentou a presença de convidados, patrocinadores e personalidades próximas à delegação, situações que, segundo ele, ganham destaque apenas quando os resultados em campo não aparecem. “No futebol eu parto pelo princípio de que é se a bola entra ou não”, ponderou.
O ex-zagueiro acredita que o julgamento sobre o ambiente da seleção seria diferente caso a equipe tivesse avançado mais longe na competição. “Se em 2006 a gente não tivesse perdido pra França e chegasse na final, por exemplo, não teria problema nenhum. A seleção da resenha, né?”, questionou.
Equilíbrio entre público e trabalho
Por fim, Luisão defendeu um equilíbrio entre a proximidade do time com o público e a preservação da rotina de trabalho. Ele descartou, contudo, que esse tipo de situação possa ser o único responsável pelo desempenho de uma equipe em uma Copa do Mundo. “Não é isolar totalmente, mas não fazer disso uma culpa de uma performance de uma seleção brasileira”, concluiu.