Pressão comercial na amarelinha
O ex-atacante Müller, ídolo do futebol brasileiro e campeão da Copa do Mundo de 1994, trouxe à tona um episódio polêmico envolvendo a Seleção Brasileira na década de 1990. Em entrevista ao programa “Seleção Estadão”, Müller afirmou ter presenciado a Nike, então patrocinadora e fornecedora de material esportivo da seleção, interferindo diretamente nas convocações de jogadores para o time canarinho.
O dilema dos jogadores
Segundo o ex-atleta, que teve passagens por grandes clubes brasileiros e disputou três Copas do Mundo (1986, 1990 e 1994), a pressão por parte da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) era explícita. “O pessoal da CBF chegava para os jogadores e dizia: ‘Assina com a Nike se não você não vai ser convocado’”, relatou Müller. Ele enfatizou que essa imposição não se tratava de escalação em campo, mas sim da própria convocação para representar o país.
Futebol como negócio
Müller, que encerrou sua carreira após mais de vinte anos, sendo doze deles dedicados à Seleção Brasileira, comentou sobre a transformação do futebol em um grande negócio. “Eu presenciei isso. Se ela tinha uma imposição há vinte anos, imagine agora”, disse, ressaltando o forte interesse comercial por trás das decisões. Os jogadores, na época, sentiam-se acuados, com a declaração: “Poxa vida, o cara da CBF falou assim: se eu não assinar, eu não vou ser convocado. Se eu não assinar um contrato com a Nike, eu não vou ser convocado para a seleção”.
Posicionamento das entidades
O jornal O Estado de S. Paulo entrou em contato com a Nike e a CBF para comentar as declarações de Müller. Até o momento da publicação desta matéria, a CBF informou que não irá se manifestar sobre o caso. A reportagem será atualizada caso haja posicionamento da empresa.